Diário de um Químico Digital 3.0

Química, TICs e outras treconologias. :)

A beleza da tensão superficial — 02/02/2015

A beleza da tensão superficial

surface tension

Tensão superficial, um fenômeno de superfície que muita gente conhece mas não sabe nem pronunciar o nome direito.

Antes de tentar explicar em palavras simples, vamos assistir ao vídeo (que é a desculpa para escrever esse post) abaixo:

Ele foi filmado por pesquisadores do Departamento de Química & Bioquímica da Arizona State University.

O objetivo deles era desenvolver métodos mais eficientes para cortar e separar proteínas de fluidos biológicos.

No vídeo, os pesquisadores usaram uma superfície hidrofóbica de Teflon e uma faca com uma superfície super-hidrofóbica para realizar o feito.

Aqui tem outro vídeo dos mesmos autores mostrando uma tentativa de bisseccionar (só queria uma desculpa pra usar uma palavra bonita) outra gota de água, só que usando uma faca comum.

Surgem agora algumas questões que precisam de respostas:

1) Do que é feita essa faca Ginsu que corta até água?

2) O que é “hidrofobia”?

3) Por quê uma faca corta e outra não?

4) Onde é que entra essa tal de “tensão superficial” na jogada?

Como diria nosso bom e velho amigo Jack (não o Sparrow, mas o Ripper), vamos por partes…
1) Do que é feito a faca ninja? Os pesquisadores criaram várias facas, mas a que se saiu melhor foi uma com corpo de polietileno, zinco e cobre. A lâmina foi mergulhada em uma solução de nitrato de prata e em uma solução superhidrofóbica chamada HDFT por 20 segundos, depois lavada e seca com ar. Assim, eles garantiram uma faquinha super especializada em cortar água.

Tá, mas e esse negócio de “cortar água”? Que raio é isso?

2) O que é hidrofobia?

Bom, esse termo é composto das raízes gregas hydro = água e fobos = aversão, medo. A tradução seria “aversão à água”.

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A faca especial usada no vídeo é altamente avessa à água, tanto que quando entra em contato com ela faz com que a gota (ou suas metades) seja repelida.

3) Por quê uma faca corta e outra não?

Ora, porque a outra faca não tem uma superfície tratada para se tornar hidrofóbica. Imagine que a faca que corta foi recoberta com uma fina camada de gordura animal. Você já viu água e gordura se misturarem?

Claro que não, a gordura é hidrofóbica e, portanto, repele a água.

4) E o que a “tensão superficial” do título desse post tem a ver com tudo isso?

Simples. A tensão superficial é uma coisa que se observa em todos os líquidos.

Para entender melhor o que é esse fenômeno, vamos pensar em uma gota de água sobre uma superfície toda engordurada.

A gota de água tem aversão à gordura da superfície e, portanto, tende a entrar o mínimo possível em contato com a superfície engordurada.

Dessa forma, a gota vai assumir uma forma o mais próxima possível da forma esférica.

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Se eu quiser que a gota de água se espalhe melhor sobre a superfície gordurosa e forme um filme líquido, eu precisarei exercer uma força para espalhar melhor essa gota.

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(Na imagem, a gota da direita está sobre uma superfície engordurada ou hidrofóbica e não a molha. Na esquerda, temos água sobre uma superfície hidrofílica, e a molha completamente.)

Existem líquidos que exigirão uma força maior para que esse espalhamento aconteça, outros líquidos exigirão uma força menor.

Essa força a ser exercida dividida pelo comprimento que se quer dar ao filme líquido será chamado de tensão superficial.

Um líquido com uma elevada tensão superficial indica que para aumentar minimamente o tamanho do filme líquido será necessário exercer uma força elevada sobre ele.

E qual a origem da tensão superficial?

Bem, todas as substâncias possuem moléculas que interagem entre si.

O fato é que as moléculas que ficam no interior do líquido sentem essas forças de forma mais ou menos parecida em todas as direções (isso se chama de isotropia).

As moléculas que ficam na superfície do líquido ficam no que chamamos de interface. Na interface, as moléculas da fase líquida não possuem moléculas acima dela (a não ser umas poucas que estão na fase gasosa).

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Essa “ausência” de moléculas faz com que as moléculas da interface sofram uma espécie de desequilíbrio de forças. As moléculas da interface vão interagir apenas com moléculas “abaixo” delas, fazendo com que o somatório de forças aponte para o interior do líquido (bulk).

De forma bem simples, as moléculas da interface ficam mais coesas entre si e macroscopicamente (a olho nú) é como se elas formassem uma película.

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E é essa “película” que as facas mostradas no vídeo se dedicam a “cortar”.

A faca que consegue cortar a gota possui uma superfície extremamente hidrofóbica e consegue “romper” essa “película” formada pela coesão das moléculas de água da superfície.

O sucesso da faca em separar a gota em duas está no fato de que sua lâmina foi preparada de tal forma que quando a água toca na lâmina, ao invés de se espalhar e molhar a superfície metálica da mesma ela forma uma película coesa e não molha a faca.

Pelo contrário, o líquido faz o máximo possível para não se espalhar sobre a lâmina da faca, como se fugisse do contato com a lâmina.

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Como o operador da faca está exercendo uma força (descomunal para a pobre gotinha de água, snif), à medida que a lâmina desce em direção à superfície de Teflon a gota vai efetivamente sendo separada em duas.

Se você quiser ler outros artigos sobre esse tema, sugiro que cliquem AQUIAQUI, AQUI e AQUI (ufa).

FONTE

A ligação química do escudo do Capitão América é finalmente explicada pela ciência (não, espera aí…) — 31/01/2015

A ligação química do escudo do Capitão América é finalmente explicada pela ciência (não, espera aí…)

Por: Márcio Martins

Escudo-do-Capitão-AméricaPeraí, você tá vendo a imagem acima e pensou que entrou no blog errado?

Isso aqui não é um blog de Química, Ciências e o escambau? O que que tem a ver um personagem de ficção com a temática desse blog?

Ora, muita coisa. Eu quero falar sobre o novo tipo de ligação química recentemente confirmada (e não descoberta, porque ela já foi prevista há uns 30 anos atrás).

E esse novo tipo de ligação química tem uma grande relação com a explicação dada para as propriedades fantásticas do escudo do Capitão América.

Quer saber mais? Então, clique no link e continue lendo essa postagem:

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O aquecimento global e o aumento na liberação de metano na atmosfera — 27/01/2015

O aquecimento global e o aumento na liberação de metano na atmosfera


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Queridos leitores, essa semana vamos discutir um assunto que está em voga mas que recebe pouca atenção dos nossos governantes (e eu estou falando em nível global).

É o tal do aquecimento global. E o que isso tem a ver conosco?

Quer saber mais? Então, clique no link e continue lendo…

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É possível soltar fogos de artifício debaixo da água? — 16/01/2015

É possível soltar fogos de artifício debaixo da água?

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SPOILER ALERT!!!!!!!!!!!!!!!!

É! 🙂

Assista ao vídeo abaixo e tenha um bom final de semana.

P.S.:Não tentem fazer em casa! 🙂

P.S.2: No Brasil, soltar fogos de artifício e/ou explosivos na água para fins de pesca é crime e, portanto, proibido!

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A Química da Champagne — 31/12/2014

A Química da Champagne

Rose_champagne_infinite_bubbles Hoje é dia 31 de dezembro de 2014. Daqui a algumas poucas horas estaremos todos comemorando a passagem para o ano de 2015 aqui no Brasil. E como é tradicional em vários países, muitos de nós estourarão uma champagne (ou espumante) para comemorar a entrada do novo ano. Que tal aprender um pouco mais sobre a química dessa bebida tão popular?

química da champagne pt-br


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Os números de 2014 no Diário de um Químico Digital — 30/12/2014

Os números de 2014 no Diário de um Químico Digital

Pessoal, compartilho com vocês uma pequena retrospectiva que o WordPress gerou para o meu blog.

Antes de mais nada, queria agradecer pelas visitas e comentários nesses 5 anos de vida do meu humilde site.

Não sei se vocês notaram, mas a partir desse mês de dezembro de 2014, o blog passou a contar com um colaborador (contratado a peso de ouro, diga-se de passagem).

Ele assinará as postagens na categoria EDITORIAL com o nome de Andrew McVern Dufloth e vai sempre trazer artigos com uma visão crítica da Química e das ciências.

Ah, e é claro que o nome do blog passa a fazer um pouco menos de sentido com dois autores. 🙂

Você pode conferir a postagem de estreia desse meu amigo AQUI. Tenho certeza que vocês apreciarão os temas abordados pelo colega Andrew.

Agora, chega de enrolação, vamos às estatísticas de 2014.

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Buracos negros – um estudo comparativo — 19/12/2014

Buracos negros – um estudo comparativo

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Tudo começou com Albert Einstein e o desenvolvimento da teoria da relatividade.

Alguns resultados teóricos davam conta de entidades que poderiam parar o tempo, possuir gravidade infinita e possivelmente destruir o espaço em si.

Apesar de muito improváveis, essas entidades existem e foram detectadas pelos astrônomos, hoje as conhecemos pelo nome de BURACOS NEGROS.

Qualquer corpo celeste pode vir a tornar-se um, basta que esse objeto seja comprimido e forçado a aumentar sua densidade (diminuir seu raio) abaixo de um determinado valor conhecido como Raio de Schwarzchild.

O vídeo a seguir inicia mostrando como nosso Sol poderia tornar-se um buraco negro. Depois passa por buracos negros pequenos até chegar ao maior e mais massivo buraco negro já detectado.

Não precisa ser nenhum gênio para acompanhar as animações, tanto que não é totalmente necessário acompanhar o texto. Apenas para fins didáticos, eu transcreverei após o vídeo as explicações textuais que surgem ao longo do mesmo.

Se nosso Sol fosse comprimido ao tamanho de uma cidade pequena ele atingiria o Raio de Schwarzchild e viraria um buraco negro.

Se o planeta Terra fosse reduzido ao tamanho de um amendoim, o mesmo aconteceria.

O Buraco Negro XTE J1650-500 possui aproximadamente o tamanho de Manhattan e a massa de 3-4 Sóis. Esse é um dos “pequenos”.)

O M82-X1 tem o tamanho similar ao do planeta Marte, a massa dele é equivalente a 1000 Sóis (é considerado um buraco negro mediano).

No aglomerado de Fênix (não é o irmão do Shun, please) existe um buraco negro supermassivo. Nosso sistema solar inteiro caberia milhares de vezes dentro dele. A massa do buraco é de “apenas” 20 bilhões de Sóis!!!!!

E aí, gostaram?

 

 

A formação de um floco de neve (porque neve combina com Natal, certo?) — 13/12/2014

A formação de um floco de neve (porque neve combina com Natal, certo?)

Gente, não pretendo aborrecê-los com um post longo e chato sobre a formação dos flocos de neve (já fiz isso nesse post antes).

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Hoje só quero mostrar a beleza, a arte, a poesia que é esse processo (e olha que eu nem gosto de poesia).

Fiquem com o vídeo e, se quiserem mais explicações, visitem esses outros posts aqui e aqui.

FONTE

Feliz Natal Químico (mentira, é só mais um vídeo de reação química) —

Feliz Natal Químico (mentira, é só mais um vídeo de reação química)

Ho, ho, ho! Ferro-Lítio-Zinco-Sódio-Titânio-Alumínio para todos!

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Tá, chega de piadas nerds infames. Hoje vou mostrar uma bela e clássica reação química.

Trata-se da reação de deslocamento do íon prata (em solução aquosa) pelo cobre metálico.

E o que isso tem a ver com Natal? Ora, o vídeo abaixo e que deu origem a essa postagem foi feito com um fio de cobre em formato de pinheirinho de Natal. 😛

Divirtam-se:

E é isso aí! Voltaremos assim que possível com mais posts natalinos!

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Nosso amigo o átomo — 01/12/2014

Nosso amigo o átomo

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Datado de 1957, esse vídeo foi produzido por ninguém menos do que Walt Disney.

Fala sobre o quê? Energia Nuclear.

Embora seja antigo, o tema é atual e o vídeo é muito bem produzido.

Divirtam-se! 🙂