Diário de um Químico Digital 3.0

Química, TICs e outras treconologias. :)

Sites para aprendizagem de assuntos variados – parte 2 — 03/01/2010

Sites para aprendizagem de assuntos variados – parte 2

Buenas viventes (gaúcho mode off), aqui vai mais uma parte da série de posts sobre sites para aprendizagem.

Hoje, pretendo apresentar a vocês o instructables.

O instructables é mais ou menos como o ehow do post anterior, mas ele é mais específico.

Para quem gosta de construir bugigangas, fazer experimentos malucos (algum químico entre os leitores do blog?), ou simplesmente para quem gosta de apreciar a inventividade humana, esse é o site certo.

As invenções são de autoria dos assinantes do site, e o registro nele é gratuito. Muitos dos howtos disponibilizados no enorme acervo do instructables possuem fotos, vídeos e walkthrough em pdf.

Ou seja, não tem desculpa para dizer que não entendeu (a não ser ser fraco em inglês, mas pra isso tem o meu post anterior e o google translate).

Vou mostrar um instructable encontrado no site e que é um dos meus preferidos.

Aprenda agora a fazer um plástico a partir de batata:

<Ana Maria Bragg mode on>

Ingredientes:

  • Batatas (ou amido de milho, ou fécula de batata)
  • Liquidificador (para liquefazer as batatas)
  • Glicerina líquida
  • Vinagre de vinho
  • Corante alimentício
  • Panelas
  • espátulas
  • pano de prato
  • fogão
  • facas

Preparo:

  1. Bata uma batata DESCASCADAS no liquificador com um copo americano de água (batatas contém em torno de 95% de amido);
  2. coe a mistura em um filtro de café (daqueles de papel);
  3. Pode-se deixar o amido da batata secando ao ar livre ou usá-lo ainda molhado (caso você tenha pressa);
  4. Em uma panela ampla (frigideira?), adicione para cada colher de sopa de amido de batata, 4 colheres de sopa de água fria;
  5. ainda sob aquecimento, adcione 1 colher de chá de vinagre e 1 colher de chá de glicerina (é bom não abusar da glicerina se você quiser um plástico rígido);
  6. se você desejar um plástico colorido, adicione o corante agora;
  7. diminua a intensidade da chama do fogão, mexa constantemente a mistura, e permaneça assim até a mistura começar a engrossar, só então aumente o fogo;
  8. quando começar a ferver, mantenha o aquecimento médio por mais 5 minutos;
  9. desligue o fogo e despeje a mistura em algum molde (caso você queira seu plástico com alguma forma especial);
  10. deixe secando ao natural, isso pode levar alguns dias, mas o importante é a água toda evaporar.

<Ana Maria Bragg off>

O dono da ideia original postou até um vídeo:

Sites para aprendizagem de assuntos variados – parte 1 —

Sites para aprendizagem de assuntos variados – parte 1

Vou começar uma série de postagens sobre aprendizagem mediada por tecnologias digitais.

Hoje, vou falar para vocês do ehow.

O ehow apresenta uma série de “howto” (mal traduzido para português significa “como fazer”) sobre os mais variados assuntos.

Apenas para listar algumas das categorias disponíveis:

  • Artes e Entretenimento
  • Eletrônica
  • Hobbies, Jogos e Brinquedos
  • Comidas e bebidas
  • Computadores
  • etc

Apenas para dar um gostinho do que tem no site, selecionei um link que achei interessante. Aproveitei e traduzi o rápido tutorial disponibilizado neste link, é sobre como aprender uma língua estrangeira, e como o artigo original está em inglês vocês já podem ir treinando. 🙂

<tradução livre>

Aprender uma língua estrangeira é uma tarefa desafiadora. Uma vez que você domine a gramática você necessitará expandir seu vocabulário. A chave para aprender o vocabulário é a repetição. Apresenta-se aqui um método para aprender 10 novas palavras por dia e tornar-se fluente. Uma pessoa mediana sabe milhares de palavras. Aprendendo 10 palavras novas por dia, você estará apto a conversar rápida e fluentemente após alguns meses de estudo, dependendo da língua escolhida.

Você vai precisar de uma pilha de cartas, mais ou menos com tamanho de 3,0 cm x 5,0 cm.

Instruções:

  1. Tome uma pilha de cartas e desenhe uma linha vertical bem no meio da carta. Então desenhe quatro linhas horizontais, criando duas colunas de cinco células. Repita o processo nas costas de cada carta.
  2. Carregue consigo uma pequena pilha destas cartas sempre. Quando você encontrar palavras em portugês que você queira aprender na nova língua, escreve a palavra em português em uma das células da carta.
  3. Quando você chegar em casa, procure pela palavra em portugês no seu dicionário bilíngue e escreva a tradução da palavra nas costas da carta, na célula correspondente no verso da mesma.
  4. Descubra 10 novas palavras que você queira aprender a cada dia. Escreva suas traduções na carta e leve-a consigo durante o próximo dia.
  5. Teste periodicamente seus conhecimentos sobre as palavras transcritas no card durante todo o dia, sempre que tiver uma oportunidade.
  6. Mantenha suas cartas antigas em um arquivo caseiro. De tempos em tempos, puxe uma dessas cartas arquivadas e faça um quiz rápido para refrescar sua memória.

<fim da tradução>

Eu ainda incluiria uma dica, essa mais voltada para quem é do meio acadêmico e que frequentemente precisa ler artigos e/ou livros estrangeiros.

Quando você estiver lendo algo em outra língua, faça uma cópia do artigo ou do capítulo do livro que você precisa ler. Anote no rodapé cada palavra que você não consegue lembrar e o seu respectivo significado. No início você vai ficar como uma galinha catando milho no chão, toda hora você vai ficar folheando o dicionário.

O legal é que a linguagem técnica é menos rebuscada que a literária e as palavras se repetem com uma frequência maior. Em pouco tempo você estará acostumado com essas palavras frequentes e nem vai precisar mais do dicionário.

Além do que, com a prática é possível ler sem traduzir para o português. Quando você conseguir isso estará craque na coisa.

Bom, por hoje era isso. Aproveitem bem o ehow e divirtam-se com o material disponível por lá. E se encontrarem algo interessante, não esqueçam de me mandar uma dica.

Abraços digitais.

Dica de Site – Planeta Tics — 01/01/2010

Dica de Site – Planeta Tics

Achei este link faz algum tempo e estava com preguiça de postar no meu outro blog (quer conhecê-lo?).

Graças ao posterous a preguiça de escrever e ficar enfeitando o post foi embora. 🙂

Conheçam hoje o site Planeta Tics. Esse site é um blog que agrega notícias de outros sites e/ou blogs. Segundo a descrição encontrada no próprio site:

Planeta Tic’s é um agregador de notícias de outros blogs e sites que falam de Tecnologia e Educação. Podemos considerar que este é um local onde pode-se encontrar notícias de centenas de outros blogs e sites que tratam deste assunto.
O site é mantido por diversos colaboradores que buscam na Web por novas fontes todos os dias.

E o que significa essa sigla “TIC”? Simples, como esse blog visa tratar de química e educação digital, nada melhor do que indicar algo relacionado à Tecnologias de Informação e Comunicação para vocês.

Ess área é bem moderna no meio educacional e nem todo mundo sabe o que fazer com relação a esse campo de estudos dentro das universidades. Rola uma discussão meio polêmica no meio acadêmico sobre os “nativos” e os “migrantes” da era digital.

Basicamente, nós que nascemos antes da era do “PC do milhão” seríamos os “migrantes”, já a gurizada que nasceu na era “PC do milhão” faria parte do grupo dos “nativos” da era digital.

Eu, particularmente, acho essa discussão uma perda de tempo. Acho que ter nascido com um mouse na mão não significa que a pessoa saiba usar bem um computador. Ter que se acostumar com um mouse, com uma planilha, com um processador de textos (em oposição às antigas máquinas datilográficas), como nós tivemos que fazer um dia, pode não ter sido fácil, mas não tirou nenhum pedaçõ de nós. E, olhem só, estamos aqui, escrevendo em blogs, postando fotos no flickr, upando vídeos para o youtube, convertendo um arquivinho no zamzar, etc. E aí, quem é nativo ou quem é migrante?

Como acredito que usar as tecnologias é mais importante do que ficar filosofando sobre elas, fica a dica do Planeta Tics, para você que é educador e para você que é um curioso (como eu). Espero que vocês aproveitem bastante.

Um grande e forte abraço digital e até o próximo post.

Vai um sorvete rápido aí? — 31/12/2009

Vai um sorvete rápido aí?

Ontem eu tinha prometido escrever um post sobre como usar a “depressão do ponto de congelamento da água” para ensinar vocês a como fazer um sorvete.

E a coisa é tão fácil que você vai se perguntar porque ninguém nunca te ensinou isso antes.

Bem, para fazer o sorvete serão necessários alguns ingredientes bem simples: Anote aí:

<Ana Maria Braga mode on>

  • Gelo picado (uma cubeta de gelo tá de bom tamanho);
  • Sal de cozinha (o famoso cloreto de sódio, NaCl(s));
  • Açúcar confeiteiro (se usar açúcar normal o sorvete fica bom também);
  • Essência de baunilha;
  • Meio copo de leite integral (tem que ter gordura, senão não funciona);
  • Dois sacos do tipo Ziploc de tamanhos diferentes.

Modo de preparo:

Adicione o leite, umas duas colheres de açúcar e algumas gotas de essência de baunilha ao saco ZipLoc menor.

Adicione o gelo picado no saco Ziploc grande e despeje umas generosas colheradas de sal de cozinha (umas 8 deve dar resultado). Ao fazer isso, a temperatura do gelo vai baixar muito, conforme explicado no post anterior.

Coloque o saco pequeno dentro do saco maior e sele-os bem, ninguém vai querer sorvete salgado.

Agite o conjunto de sacos por alguns minutos até você perceber que o leite está com aparência pastosa.

Retire o saco com o seu sorvete, lave-o em água corrente para retirar o sal, abra o saquinho e saboreie.

<Ana Maria Braga mode off>

E aí vocês me perguntam: “como isso é possível”?
Simples, o leite é uma suspensão coloidal. Tem água, proteínas e açúcares, além de um monte de gordura presentes no leite. A gordura está sob a forma de bolinhas microscópicas. Todo mundo sabe que gordura e água não se misturam.

O máximo que pode acontecer é a gordura e a água se “suportarem”, isso é possível graças à certas proteínas do leite, como a albumina, por exemplo. Ela transporta os ácidos graxos (as gorduras do leite), permitindo que eles coexistam com toda aquela água que está lá presente.

Se a acidez do leite mudar, ou se ele sofrer um aquecimento muito intenso, a albumina perde sua função e deixa de compatibilizar a gordura e a água. Além disso, a caseína, outra substância presente no leite, precipita e o leite “talha”. (outro dia eu escrevo sobre como o leite influenciou a arte da pintura)

Bom, mas para nossos propósitos “sorvetísticos” basta saber que tem gordura suspensa no leite e que não nos interessa separar a gordura da água.

Quando congelamos o leite com a ajuda do gelo+sal, a tendência da gordura é solidificar antes da água e acontecer a separação que nós não desejamos que aconteça.  Por isso a agitação consntante que eu recomendei lá na receita.

À medida que você agitar os saquinhos, estará promovendo a mistura mecânica dos glóbulos de gordura, do açúcar, da essência e dos recém-formados cristais de gelo. No final, você ainda terá uma mistura hetereogênea mas com uma cara e um gosto ótimos.

Pronto, está a explicação científica do porquê é tão fácil fazer esse sorvete.

Aproveitem bem a receita, façam para as crianças nesta virada de ano ou façam para vocês mesmos, mas o importante é que tenham todos um feliz 2010!

Um abraço digital desse entusiasta do posterous.com !

Como gelar a cerveja do Reveillon sem uma geladeira? — 30/12/2009

Como gelar a cerveja do Reveillon sem uma geladeira?

Eu sei que essa dica é mais velha que andar para a frente, mas ainda assim acho que vale a pena postar por aqui.

Existem alguns fenômenos que atendem pelo nome genérico de “propriedades coligativas”.

Aí vocês me dizem assim: “pô Márcio, que nomezinho estranho, como isso vai me ajudar a gelar minha bebida”?

Simples, essas propriedades são observadas quando nós adicionamos algo a um líquido puro. Esse “algo” é chamado de soluto, é uma substância que pode ser dissolvida no tal líquido (solvente) e mudar a composição do mesmo.

Sempre que nós dissolvemos um soluto não-volátil (outro termo emprestado dos alquimistas e que significa “difícil de evaporar”) em um solvente puro, nós alteramos a forma como as moléculas de solvente interagem.

Observem a figurinha a seguir:

 

https://i0.wp.com/www.portaldovestibular.com.br/wp-content/uploads/2008/05/coligativas.gif

O que ela tem de especial? Simples, ela mostra moléculas de água interagindo por meio de “ligações de hidrogênio” (os mais antigos chamam-nas de “pontes de hidrogênio”). Se não houver nenhuma outra substância presente na água (solvente), um átomo de oxigênio vai interagir com os átomos de hidrogênio de duas outras moléculas de água.

Como? A molécula de água é polar (o oxigênio possui uma carga total parcialmente negativa e cada hidrogênio uma carga total parcialmente positiva). Positivo atrai negativo e vice-versa (obrigado, senhores alquimistas, por mais esse ensinamento).

Se alguma substância, como o sal de cozinha, por exemplo, for adicionada à água, o mesmo vai ser dissociado em íons sódio (Na+) e íons cloreto (Cl-).

Os íons sódio vão interagir com os átomos de oxigênio parcialmente negativos da água. Os íons cloreto vão interagir com os átomos de hidrogênio parcialmente positivos da água e, voilá, teremos uma nova estrutura organizacional no líquido.

A presença desses íons “atrapalha” as moléculas de água, impede a organização das mesmas de forma eficiente.

Como resultado, se antes era possível congelar a água (deixar as moléculas bem organizadas) a uma temperatura de zero graus Celsius (273,15 K), agora não mais será possível obter esse resultado a essa mesma temperatura.

Para congelar a água será necessário remover mais energia da mistura, sob a forma de calor, a fim de obter o mesmo resultado. Em palavras de seres humanos normais, a temperatura de congelamento da água passará a apresentar valores abaixo de zero Celsius.

Esse fenômeno é conhecido por “depressão do ponto de congelamento” e depende grandemente da quantidade de soluto dissolvido no solvente. É um dos quatro principais fenômenos conhecidos pelo nomezinho que eu dei lá no começo do post. A palavra “co-ligativa” quer dizer, nesse caso, que depende das ligações entre os co-participantes da mistura (soluto e solvente) e das quantidades relativas deles.

“Tá, muito bom e muito bonito. Eu entrei aqui para ler sobre como gelar a cerveja e ganhei uma aula de Química”. – É o que você deve estar pensando.

Calma, agora eu explco como fazer.

Você pega as latinhas, dá uma lavada nelas (vai que tenha xixi de rato nelas) e coloca todas em um recipiente (aquelas caixas de isopor que você usa para guardar a galinha com farofa da família deve servir).

Em seguida, você faz uma mistura com:

1. gelo (um saco pequeno)
2. 1/4 de pacote de sal de cozinha ou de ureia (encontrada em veterinárias ou agropecuárias).
3. um pouco de água, não muita.

Isso deve baixar a temperatura para algo em torno de -10 graus celsius, dependendo da sua habilidade em medir a quantidade de sal, pode ser que consiga até -15 graus.

Ah, tem gente que gosta de misturar álcool etílico (etanol) à mistura. Mas como eu acho perigoso ficar mexendo com álcool perto de fogo (se você estiver em um churrasco é preciso o triplo de cuidado).

O importante é que em uma questão de minutos você deverá ter a sua bebida geladinha. Passe cada latinha em um balde com água para lavar e não ficar com gosto de sal na boca e bon apetit.

NOTAS FINAIS: Tome cuidado para não deixar a mistura muito gelada, pode ser que você acabe com um picolé de cerveja ao invés de uma bebida geladinha.

NOTA 2: Se você já se perguntou porque os moradores de países frios jogam sal na calçada, a explicação dada neste post serve para explicar. O sal faz com que o gelo da calçada (deve estar em torno de -15 ou -10 graus Celsius no ambiente) passe do estado sólido ao líquido, facilitando a remoção do mesmo com uma pá.

NOTA 3: Mais adiante eu vou postar como fazer sorvete com esse mesmo princípio.

O que Platão tem a ver com Química? —

O que Platão tem a ver com Química?

Título engraçado para um post, vocês não acham?

Pois é, engraçado pode até ser, mas é uma realidade.

Talvez muitos químicos nem se deem conta disso, mas o filósofo grego, que viveu entre os anos de 428 e 347 a.C., deixou um legado muito importante para nossa querida ciência da Química.

Ele fez um estudo filosófico sobre as formas da natureza e concluiu que o mundo material como nós o percebemos através dos sentidos não é real, ele é apenas uma sombra do mundo real. Tudo que pode ser experimentado com os sentidos físicos é somente uma sombra do que realmente existe no mundo real, e o mundo real não está acessível às faculdades sensoriais humanas.

Tá, e o que a química tem a ver com todo esse papo filosófico?

Ah, tem sim, e muito!

Basta dizer que ele estabeleceu que algumas formas geométricas, conhecidas hoje pelo nome genérico de sólidos platônicos seriam os arquétipos para tudo o que existe no universo material.

Basicamente, tudo o que há de belo, harmônico, simétrico, etc, deve remeter-se a uma das formas perfeitas previstas por Platão.

Se você é jogador de RPG já deve ter cruzado com algumas dessas formas. Vou facilitar a vida de vocês mostrando algumas imagens (roubadas descaradamente da wikipedia) desses sólidos.

Tetrahedron.svgHexahedron.svgOctahedron.svgPOV-Ray-Dodecahedron.svgIcosahedron.svg

Tratam-se do tetraedro, do cubo (ou hexaedro), do octaedro, do dodecaedro e do icosaedro. Eles se caracterizam por possuírem faces compostas por polígonos regulares (triângulo equilátero, quadrado, pentágono), e em cada vértice do polígono tem um outro polígono assentado. Resumindo:

  • os lados são iguais
  • os ângulos são iguais
  • as faces são idênticas

Mas o objetivo do post não é ficar filosofando sobre os aspectos matemáticos dos sólidos platônicos e sim sobre os aspectos químicos.

Agora vem a parte boa da coisa. Onde isso se aplica à Química?

Se vocês observarem, os sólidos de Platão são em número de cinco.

Um sólido para cada elemento alquímico.
O tetraedro está para o fogo (https://i0.wp.com/upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0b/Alchemy_fire_symbol.svg/64px-Alchemy_water_symbol.svg.png), o cubo está para a terra (https://i0.wp.com/upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0b/Alchemy_earth_symbol.svg/64px-Alchemy_earth_symbol.svg.png), o octaedro para o ar (https://i0.wp.com/upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0b/Alchemy_air_symbol.svg/64px-Alchemy_earth_symbol.svg.png), o icosaedro está para a água (https://i0.wp.com/upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0b/Alchemy_water_symbol.svg/64px-Alchemy_water_symbol.svg.png) e o dodecaedro está para o éter universal (lembram dos doze signos do zodíaco?).

Esses elementos formaram a base do pensamento alquímico grego, árabe, europeu e, portanto, são os pais dos modernos elementos químicos.

Com Lavoisier (1743-1794) vieram as ideias de recombinação de elementos químicos (não mais alquímicos, a parte filosófica foi expurgada para dar origem à ciência Química) e os modernos processos químicos estilo “receita de bolo”. E, um pouco mais tarde, a ideia de átomo foi retomada por Dalton (aquele que sofria de uma doença que o impedia de distinguir entre o vermelho e o verde) e mesclada com as ideias de Lavoisier sobre combinação de elementos químicos.

Antoine LavoisierJohn Dalton

Dando um grande salto na história, chegamos ao ano de 1940. Os senhores Sidgwick e Powel (Oxford University) estabeleceram uma relação entre os átomos e a geometria das moléculas. Eles estabeleceram uma série de regras, baseadas em observações experimentais espectroscópicas (um dia escrevo explicando que maluquice é essa), que permitiram aos químicos deduzir a geometria molecular de diversas espécies químicas.

Em 1957, Gillespie e Nyholm (University College London), aprimoraram as regras de Sidgwick e Powell e criaram o modelo bem sucedido conhecido em português como “modelo da repulsão dos pares de elétrons da camada de valência”. Em inglês é “valence shell electron pair repulsion model”.

Não vou entrar em detalhes químicos sobre esse modelo, deixo isso para um post futuro. O que eu quero agora é encerrar o post mostrando uma tabela que, certamente, vai mostrar qual a conexão com as ideias de Platão acerca dos sólidos perfeitos.

Observem a tabela e me digam se Platão tinha ou não razão:

http://www.uwplatt.edu/~hamiltoj/chem145/vsepr.jpg
Atentem para as moléculas de XeF4 e BrF5, ambas apresentam átomos ou pares de elétrons isolados dispostos segundo os vértices de um octaedro. Agora, observem as moléculas de NH3 (amônia) e H2O (água). Os átomos de hidrogênio e os pares de elétrons ficam dispostos segundo os vértices de um tetraedro.  Eu poderia sair pela rede catando mais exemplos dos sólidos platônicos, e o farei, mas esse post já ficou muito comprido.

Vou encerrando por aqui, desejando que vocês comentem o que acharam do post. Críticas construtivas, dicas, dúvidas, etc, todas serão bem-vindas.

Um grande abraço e até o novo post (esse posterous me deixa com vontade de escrever).

Online Chemical Editor (JChemPaint) – Desenhe Moléculas Online — 29/12/2009

Online Chemical Editor (JChemPaint) – Desenhe Moléculas Online

  Estou ainda na onda de postar coisas no posterous, sendo assim, resolvi postar essa dica de site.

Acesse o link a seguir webqc.org e conheça uma ferramenta para desenhar moléculas direto no navegador.

Pare para pensar comigo. Você precisa desenhar um simples aromático (benzeno, tolueno) ou um heterocíclico para aquele relatório de química orgânica e está no laboratório de informática da universidade.

O bendito laboratório não é exclusivo dos estudantes de química e, portanto, não tem um ChemSketch instalado, não tem um ChemDraw, não tem nada.

Você só precisa daquela estrutura para finalizar o relatório e não sabe o que fazer.

Pois bem, no site em questão dá para terminar o relatório bem rapidinho.

Deem uma olhada na estrutura da ferramenta e nas moléculas simples que eu montei lá, e tudo em menos de um minuto. 

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Fica a dica, divirtam-se desenhando suas moléculas no webqc. Até a proxima dica.

Educação digital e os blogs —

Educação digital e os blogs

Pois é, fala-se tanto em educação digital nos dias de hoje e pouco se vê.

O que é essa tal de educação digital? Vamos dar uma definição bem simples, sem recorrer a livros ou quaisquer outras fontes.

Educação digital envolve o uso de ferramentas computacionais para promover o processo de ensino-aprendizagem.
Blogs, drives virtuais, suítes de escritório como GoogleDocs, scribd, slideshare, ferramentas de busca, e até o controverso torrent podem ser usados para promover a educação digital.

No âmbito do ensino de química, pode-se citar como ferramentas que promovem a educação digital todos os programas para a representação de estruturas químicas como, por exemplo, o ChemSketch. Pode-se usar softwares que gerem equações químicas e matemáticas como o Equation Editor da Microsoft ou o Math Type.

Para não ficarmos apenas no âmbito de softwares, pode-se citar as famosas câmeras digitais como ferramentas poderosas para a facilitação da tarefa de educar digitalmente.

As câmeras atuais têm capacidade não só de fotografar, mas de filmar e gravar sons. Uma aula experimental pode ser gravada com uma câmera dessas, o vídeo pode ser convertido ao fomato flv (próprio para upload para o youtube) e disponibilizado para visualização de toda a turma e até mesmo de outras universidades ou escolas.

Eu mesmo já fiz isso, vocês podem ver nesse link do youtube:

Bom, e quanto à aptidão do professor para o uso das tecnologias digitais? Eu acredito que isso também está incluído nessa ampla definição de educação digital. Capacitar para o uso de tecnologias é fazer educação digital.

A coisa toda é muito simples e, ao mesmo tempo, muito complexa. Para mim, educar uma pessoa para usar as tecnologias digitais é fazer educação digital. Mas para fazer esse processo acontecer é necessário estar capacitado a usar tais tecnologias. E para tanto, é necessário USAR as tais tecnologias.

Estou testando essa nova forma de blogar do posterous. Se ela for fácil de usar como está sendo apregoado no meu site preferido de tecnologia (http://www.meiobit.com/meio-bit/web-20/posterous-o-blog-via-e-mail), vou passar a usar essa ferramenta nas disciplinas que estiverem sob minha responsabilidade.

Por enquanto era isso, esse texto é só um teste. Pode ser que nos encontremos novamente em bem pouco tempo.

Um abraço digital!

Prof. Márcio Martins