Ontem eu tinha prometido escrever um post sobre como usar a “depressão do ponto de congelamento da água” para ensinar vocês a como fazer um sorvete.

E a coisa é tão fácil que você vai se perguntar porque ninguém nunca te ensinou isso antes.

Bem, para fazer o sorvete serão necessários alguns ingredientes bem simples: Anote aí:

<Ana Maria Braga mode on>

  • Gelo picado (uma cubeta de gelo tá de bom tamanho);
  • Sal de cozinha (o famoso cloreto de sódio, NaCl(s));
  • Açúcar confeiteiro (se usar açúcar normal o sorvete fica bom também);
  • Essência de baunilha;
  • Meio copo de leite integral (tem que ter gordura, senão não funciona);
  • Dois sacos do tipo Ziploc de tamanhos diferentes.

Modo de preparo:

Adicione o leite, umas duas colheres de açúcar e algumas gotas de essência de baunilha ao saco ZipLoc menor.

Adicione o gelo picado no saco Ziploc grande e despeje umas generosas colheradas de sal de cozinha (umas 8 deve dar resultado). Ao fazer isso, a temperatura do gelo vai baixar muito, conforme explicado no post anterior.

Coloque o saco pequeno dentro do saco maior e sele-os bem, ninguém vai querer sorvete salgado.

Agite o conjunto de sacos por alguns minutos até você perceber que o leite está com aparência pastosa.

Retire o saco com o seu sorvete, lave-o em água corrente para retirar o sal, abra o saquinho e saboreie.

<Ana Maria Braga mode off>

E aí vocês me perguntam: “como isso é possível”?
Simples, o leite é uma suspensão coloidal. Tem água, proteínas e açúcares, além de um monte de gordura presentes no leite. A gordura está sob a forma de bolinhas microscópicas. Todo mundo sabe que gordura e água não se misturam.

O máximo que pode acontecer é a gordura e a água se “suportarem”, isso é possível graças à certas proteínas do leite, como a albumina, por exemplo. Ela transporta os ácidos graxos (as gorduras do leite), permitindo que eles coexistam com toda aquela água que está lá presente.

Se a acidez do leite mudar, ou se ele sofrer um aquecimento muito intenso, a albumina perde sua função e deixa de compatibilizar a gordura e a água. Além disso, a caseína, outra substância presente no leite, precipita e o leite “talha”. (outro dia eu escrevo sobre como o leite influenciou a arte da pintura)

Bom, mas para nossos propósitos “sorvetísticos” basta saber que tem gordura suspensa no leite e que não nos interessa separar a gordura da água.

Quando congelamos o leite com a ajuda do gelo+sal, a tendência da gordura é solidificar antes da água e acontecer a separação que nós não desejamos que aconteça.  Por isso a agitação consntante que eu recomendei lá na receita.

À medida que você agitar os saquinhos, estará promovendo a mistura mecânica dos glóbulos de gordura, do açúcar, da essência e dos recém-formados cristais de gelo. No final, você ainda terá uma mistura hetereogênea mas com uma cara e um gosto ótimos.

Pronto, está a explicação científica do porquê é tão fácil fazer esse sorvete.

Aproveitem bem a receita, façam para as crianças nesta virada de ano ou façam para vocês mesmos, mas o importante é que tenham todos um feliz 2010!

Um abraço digital desse entusiasta do posterous.com !

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