Diário de um Químico Digital 3.0

Química, TICs e outras treconologias. :)

O que acontece quando derramamos alumínio líquido sobre gelo seco? — 23/01/2016

O que acontece quando derramamos alumínio líquido sobre gelo seco?


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Continuando a nossa série (nem eu sabia que tinha virado uma) de postagens sobre “o que acontece”, hoje vou mostrar um vídeo do canal The Backyard Scientist que mostra vários experimentos envolvendo alumínio líquido (700ºC) e duas substâncias muito frias: gelo seco e nitrogênio líquido.

Destaque para os experimentos com gelo seco (-78ºC), pois os demais envolvendo nitrogênio líquido (-196ºC) são (a meu ver) meio sem graça.

Antes de tudo, o vídeo (pule direto para 1 min 5 s):

  • Note que quando o carinha derrama o alumínio líquido sobre o bloco de gelo seco, parece que o líquido demora um certo tempo para solidificar.

E note que ele parece “flutuar” sobre o gelo seco.

Isso porque a enorme diferença de temperatura entre os dois materiais produz quase que instantaneamente uma camada de dióxido de carbono gasoso CO2 que age como um isolante térmico e “protege” por algum tempo o bloco de gelo seco (que é CO2 no estado sólido).

Esse é o famoso Efeito Leidenfrost (o qual já mereceu um post aqui no blog).

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  • Aos 2 min 18 s o autor do vídeo coloca um lingote cilíndrico de alumínio aquecido sobre o bloco e algo interessante acontece.

O cilindro, como era de se esperar, “derrete” a parte do bloco e cria um “buraco” com o seu formato.

O surpreendente é que nesse processo ele emite sons “musicais” (parece um pequeno carrilhão).

Isso ocorre porque com o resfriamento pode estar acontecendo contração na estrutura cristalina do alumínio (os átomos do metal se rearranjam e assumem um ordenamento melhor).

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  • Aos 2 min e 34 s ele verte um pouco de alumínio líquido sobre o buraco formado pelo bloco de alumínio aquecido.

Eu achei interessante ver em câmera lenta o alumínio líquido se comportando como lava, ponto final. 🙂

  • Pulando para 4 min e 13 s, ele finalmente derrama alumínio líquido sobre um frasco (DE VIDRO) contendo o nitrogênio líquido.

A troca de calor entre os dois materiais é tão intensa e tão rápida que é preciso rever o vídeo em câmera lenta.

Nada muito surpreendente, a não ser que o nitrogênio líquido entra em ebulição turbulenta e a rápida expansão deste para a forma gasosa (aliada à troca de calor) provoca uma rachadura quase instantânea no vidro.

  • Finalizando, aos 5 min e 18 s ele inverte a ordem. Derrama nitrogênio líquido sobre alumínio derretido.

Essa parte é só legalzinha, pois o alumínio está contido em um vasilhame e apenas troca calor com o nitrogênio líquido, provocando uma ebulição em massa do líquido. Vale a pena pelo prazer de jogar nitrogênio líquido fora. 🙂

Via SPLOID

Let it go, let it go. E o castelo da Elsa (não) desmoronou… — 31/10/2015

Let it go, let it go. E o castelo da Elsa (não) desmoronou…

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Título estranho para um post em um blog de Química, não?

Pois é, mas faz muito sentido. Vocês verão logo em seguida.

Quem tem uma filha em casa sabe que o filme Frozen é uma febre, uma mania.

As meninas adoram cantar as músicas do filme, adoram se vestir como a personagem principal (Elsa de Arendele) e adoram todos os brinquedos relacionados que o comércio oferece.

Em suma, tudo que diz respeito ao tal filme interessa às meninas.

E eu vou usar esse filme para ensinar um pouco de físico-química.

Para continuar lendo, clique no link a seguir e siga meu raciocínio (e um pouco da história de Frozen):

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Por quê o gelo flutua na água? — 11/08/2015

Por quê o gelo flutua na água?

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Na maioria das vezes, uma substância quando no estado sólido é mais densa que a sua versão no estado líquido.

Como resultado disso, o sólido afunda se colocado em contato com o seu líquido.

No caso da água, a história é diferente.

Nesse vídeo do TED-Ed, você vai aprender o porquê desse comportamento estranho da água.

Não esqueça de ativar as legendas em português.

Quer entender melhor? Eu conto mais na sequência do post, é só clicar.

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O que é solubilidade? — 24/04/2015

O que é solubilidade?

 Por Digichem

 Eu sempre gosto de trazer algum elemento visual antes de explicar um conceito básico de Química. Dessa vez não será diferente. Vou trazer uma imagem e um vídeo. Eis a imagem:

E agora, o vídeo. Peço que o caro leitor assista ao vídeo abaixo, o qual mostra uma solução aquosa da substância 4-hidroxibenzaldeído sendo resfriada em um banho de gelo.

O que acontece no vídeo será explicado a seguir.

https://vimeo.com/124564527

Então? Assistiu? Quer saber mais? Então, continue lendo na sequência:

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Um motor a vapor que é pura poesia — 22/04/2015

Um motor a vapor que é pura poesia

Por Digichem

Apenas assistam, pois as palavras estragariam a poesia que é esse motor exibido no vídeo abaixo:

Esse motor, todo em vidro, foi criado por Will Fludgate e Dave Barnett na empresa BioChem Glass.

Se você já ouviu falar em ciclos térmicos (Carnot, Diesel, Otto, etc) e nunca entendeu do que se tratam todas aquelas etapas de aquecimento, expansão gasosa, resfriamento e contração de volume, acho que agora dá pra compreender um pouco melhor.

Em um post futuro podemos tratar desse assunto de uma forma didática.

A beleza da tensão superficial — 02/02/2015

A beleza da tensão superficial

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Tensão superficial, um fenômeno de superfície que muita gente conhece mas não sabe nem pronunciar o nome direito.

Antes de tentar explicar em palavras simples, vamos assistir ao vídeo (que é a desculpa para escrever esse post) abaixo:

Ele foi filmado por pesquisadores do Departamento de Química & Bioquímica da Arizona State University.

O objetivo deles era desenvolver métodos mais eficientes para cortar e separar proteínas de fluidos biológicos.

No vídeo, os pesquisadores usaram uma superfície hidrofóbica de Teflon e uma faca com uma superfície super-hidrofóbica para realizar o feito.

Aqui tem outro vídeo dos mesmos autores mostrando uma tentativa de bisseccionar (só queria uma desculpa pra usar uma palavra bonita) outra gota de água, só que usando uma faca comum.

Surgem agora algumas questões que precisam de respostas:

1) Do que é feita essa faca Ginsu que corta até água?

2) O que é “hidrofobia”?

3) Por quê uma faca corta e outra não?

4) Onde é que entra essa tal de “tensão superficial” na jogada?

Como diria nosso bom e velho amigo Jack (não o Sparrow, mas o Ripper), vamos por partes…
1) Do que é feito a faca ninja? Os pesquisadores criaram várias facas, mas a que se saiu melhor foi uma com corpo de polietileno, zinco e cobre. A lâmina foi mergulhada em uma solução de nitrato de prata e em uma solução superhidrofóbica chamada HDFT por 20 segundos, depois lavada e seca com ar. Assim, eles garantiram uma faquinha super especializada em cortar água.

Tá, mas e esse negócio de “cortar água”? Que raio é isso?

2) O que é hidrofobia?

Bom, esse termo é composto das raízes gregas hydro = água e fobos = aversão, medo. A tradução seria “aversão à água”.

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A faca especial usada no vídeo é altamente avessa à água, tanto que quando entra em contato com ela faz com que a gota (ou suas metades) seja repelida.

3) Por quê uma faca corta e outra não?

Ora, porque a outra faca não tem uma superfície tratada para se tornar hidrofóbica. Imagine que a faca que corta foi recoberta com uma fina camada de gordura animal. Você já viu água e gordura se misturarem?

Claro que não, a gordura é hidrofóbica e, portanto, repele a água.

4) E o que a “tensão superficial” do título desse post tem a ver com tudo isso?

Simples. A tensão superficial é uma coisa que se observa em todos os líquidos.

Para entender melhor o que é esse fenômeno, vamos pensar em uma gota de água sobre uma superfície toda engordurada.

A gota de água tem aversão à gordura da superfície e, portanto, tende a entrar o mínimo possível em contato com a superfície engordurada.

Dessa forma, a gota vai assumir uma forma o mais próxima possível da forma esférica.

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Se eu quiser que a gota de água se espalhe melhor sobre a superfície gordurosa e forme um filme líquido, eu precisarei exercer uma força para espalhar melhor essa gota.

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(Na imagem, a gota da direita está sobre uma superfície engordurada ou hidrofóbica e não a molha. Na esquerda, temos água sobre uma superfície hidrofílica, e a molha completamente.)

Existem líquidos que exigirão uma força maior para que esse espalhamento aconteça, outros líquidos exigirão uma força menor.

Essa força a ser exercida dividida pelo comprimento que se quer dar ao filme líquido será chamado de tensão superficial.

Um líquido com uma elevada tensão superficial indica que para aumentar minimamente o tamanho do filme líquido será necessário exercer uma força elevada sobre ele.

E qual a origem da tensão superficial?

Bem, todas as substâncias possuem moléculas que interagem entre si.

O fato é que as moléculas que ficam no interior do líquido sentem essas forças de forma mais ou menos parecida em todas as direções (isso se chama de isotropia).

As moléculas que ficam na superfície do líquido ficam no que chamamos de interface. Na interface, as moléculas da fase líquida não possuem moléculas acima dela (a não ser umas poucas que estão na fase gasosa).

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Essa “ausência” de moléculas faz com que as moléculas da interface sofram uma espécie de desequilíbrio de forças. As moléculas da interface vão interagir apenas com moléculas “abaixo” delas, fazendo com que o somatório de forças aponte para o interior do líquido (bulk).

De forma bem simples, as moléculas da interface ficam mais coesas entre si e macroscopicamente (a olho nú) é como se elas formassem uma película.

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E é essa “película” que as facas mostradas no vídeo se dedicam a “cortar”.

A faca que consegue cortar a gota possui uma superfície extremamente hidrofóbica e consegue “romper” essa “película” formada pela coesão das moléculas de água da superfície.

O sucesso da faca em separar a gota em duas está no fato de que sua lâmina foi preparada de tal forma que quando a água toca na lâmina, ao invés de se espalhar e molhar a superfície metálica da mesma ela forma uma película coesa e não molha a faca.

Pelo contrário, o líquido faz o máximo possível para não se espalhar sobre a lâmina da faca, como se fugisse do contato com a lâmina.

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Como o operador da faca está exercendo uma força (descomunal para a pobre gotinha de água, snif), à medida que a lâmina desce em direção à superfície de Teflon a gota vai efetivamente sendo separada em duas.

Se você quiser ler outros artigos sobre esse tema, sugiro que cliquem AQUIAQUI, AQUI e AQUI (ufa).

FONTE

A ligação química do escudo do Capitão América é finalmente explicada pela ciência (não, espera aí…) — 31/01/2015

A ligação química do escudo do Capitão América é finalmente explicada pela ciência (não, espera aí…)

Por: Márcio Martins

Escudo-do-Capitão-AméricaPeraí, você tá vendo a imagem acima e pensou que entrou no blog errado?

Isso aqui não é um blog de Química, Ciências e o escambau? O que que tem a ver um personagem de ficção com a temática desse blog?

Ora, muita coisa. Eu quero falar sobre o novo tipo de ligação química recentemente confirmada (e não descoberta, porque ela já foi prevista há uns 30 anos atrás).

E esse novo tipo de ligação química tem uma grande relação com a explicação dada para as propriedades fantásticas do escudo do Capitão América.

Quer saber mais? Então, clique no link e continue lendo essa postagem:

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A formação de um floco de neve (porque neve combina com Natal, certo?) — 13/12/2014

A formação de um floco de neve (porque neve combina com Natal, certo?)

Gente, não pretendo aborrecê-los com um post longo e chato sobre a formação dos flocos de neve (já fiz isso nesse post antes).

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Hoje só quero mostrar a beleza, a arte, a poesia que é esse processo (e olha que eu nem gosto de poesia).

Fiquem com o vídeo e, se quiserem mais explicações, visitem esses outros posts aqui e aqui.

FONTE

Nosso amigo o átomo — 01/12/2014

Nosso amigo o átomo

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Datado de 1957, esse vídeo foi produzido por ninguém menos do que Walt Disney.

Fala sobre o quê? Energia Nuclear.

Embora seja antigo, o tema é atual e o vídeo é muito bem produzido.

Divirtam-se! 🙂

Congelando bolhas de sabão — 29/11/2014

Congelando bolhas de sabão

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E aí? Achou a imagem bonita? É uma bolha de sabão semi-congelada.

Os dois vídeos abaixo exibem de forma quase artística dois experimentos de congelamento de bolhas de sabão.

Congelamento @-15ºC:

Vídeo em alta definição da SONY:

https://www.youtube.com/watch?v=V_DT-mg_3IA

Por quê a água da bolha de sabão forma esses belos padrões ao congelar?

Leia na sequência do post:

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