Diário de um Químico Digital 3.0

Química, TICs e outras treconologias. :)

Efeito vaga-lume com materiais caseiros — 08/06/2010

Efeito vaga-lume com materiais caseiros

UPDATE = VÍDEO COMPLETAMENTE FAKE. REALIZEI O MESMO EXPERIMENTO AQUI NO LABORATÓRIO E NEM DE PERTO APARECEU AQUELA COR VERDE LUMINESCENTE BONITA!

Tá aí um experimento que eu vou tentar fazer.

Basta cortar as cabeças de palitos de fósforo, colocar em um frasco com tampa, adicionar água sanitária e água oxigenada. 

Fechando o vidro e agitando, uma luminosidade fantasmagórica surge.

Diz o autor do vídeo que a luminosidade dura horas.

Pelo sim, pelo não, eis o vídeo. Depois que eu repetir o experimento, posto o resultado no blog.

Tinta ajuda a controlar qualidade da carne — 30/05/2010

Tinta ajuda a controlar qualidade da carne

ATENÇÃO: Notícia copiada do blog Insônia.

A agência de design japonês TO-GENKYO, criou uma etiqueta, em formato de ampulheta, que indica a qualidade da carne ao consumidor. A etiqueta foi fabricada com uma tinta especial sensível à amônia, a qual vai escurecendo à medida que o alimento se decompõe e produz a tal da amônia (NH3).

Continuar lendo

Tabela periodica dos sentimentos — 27/05/2010

Tabela periodica dos sentimentos

http://9gag.com/gag/23889/

23889_700b

Genial!
Vi no 9gag!
Tabela periodica galáctica — 24/05/2010

Tabela periodica galáctica

Poster_medium

Pena que a versão em alta resolução, que deve conter dados sobre a abundância dos elementos no universo, não está disponível.

Quer dizer, disponível está, mas só para quem tem Libras Esterlinas para gastar. 🙂
Imagens do Solar Dynamics Observatory da NASA — 06/05/2010

Imagens do Solar Dynamics Observatory da NASA

Media_httpwwwnasagovi_vgcbr

Créditos: NASA/Goddard/SDO AIA Team

Uma imagem do Sol obtida pelo Solar Dynamics Observatory (SDO) em 30 de março de 2010 revela uma imagem impressionante. A imagem em ultravioleta multicomprimento de onda foi obtida e recolorida de acordo com as temperaturas dos gases presentes no astro. 

As cores vermelhas representam algo relativamente frias (em torno de 60000 Kelvin). As cores azuis e verdes são mais quentes (algo acima de 1 milhão de Kelvin).

Lançado ao espaço em 11 de fevereiro de 2010, o SDO é a nave espacial mais avançada desenvolvida para estudar o Sol.

Durante sua missão de 5 anos, ela examinará o campo magnético do sol e também proverá a ciência com uma melhor compreensão do papel que o sol desempenha na Química da atmosfera terrestre e, consequentemente, no clima.

Desde seu lançamento, engenheiros têm conduzido testes e verificações nos componentes da espaçonave.

Agora plenamente operacional, o SDO proverá imagens com claridade 10 vezes melhor que as televisões de alta definição e renderá dados mais compreensivos à ciência de forma muito mais rápida que qualquer outra espaçonave de observação solar. 

Hidrogênio gerado a paritr de água e som — 03/05/2010

Hidrogênio gerado a paritr de água e som

ATENÇÃO, O ARTIGO ABAIXO É UMA TRANSCRIÇÃO LITERAL DO CONTEÚDO POSTADO NO SITE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA:

————————————————————————————————————————————————————————————————–

Cientistas criaram um novo tipo de cristal que, quando mergulhado em água, absorve as vibrações do ambiente, criando fortes cargas negativas e positivas em suas extremidades.

As cargas elétricas são suficientes para quebrar as moléculas de água ao redor, liberando hidrogênio e oxigênio.

Energia super verde: hidrogênio é gerado com som e água

Energia verde

Parece bom demais para ser verdade: os cristais podem aproveitar uma espécie de poluição – o barulho e as vibrações das ruas e estradas,

por exemplo – para gerar o mais verde dos combustíveis, o hidrogênio, que pode abastecer carros ou usinas elétricas liberando apenas água como resíduo.

“É uma espécie de almoço grátis,” explica o Dr. Huifang Xu, da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos. “Você captura energia do ambiente da mesma forma que as células solares capturam energia a partir da luz do Sol.”

 

Efeito piezoeletroquímico

A fotossíntese artificial é um objetivo longamente perseguido pelos cientistas. Recentemente cientistas do MIT utilizaram até um vírus para quebrar as moléculas de água e gerar hidrogênio.

Xu e seus colegas adotaram uma via muito mais simples: eles geraram hidrogênio usando uma nova variedade de cristais piezoelétricos, materiais que geram energia quando pressionados e que estão sendo largamente estudados como uma forma de gerar eletricidade a partir do movimento.

Os novos cristais, contudo, feitos de óxido de zinco, foram projetados para operaram submersos, de forma que a eletricidade que geram, em vez de ser transportada por um fio, é liberada diretamente na água, quebrando as moléculas e liberando o oxigênio e o hidrogênio.

Os pesquisadores batizaram o novo fenômeno de efeito piezoeletroquímico.

Energia das vibrações

Ao crescerem, os cristais assumem a forma de finas microfibras altamente flexíveis. Uma vibração, oriunda de ondas sonoras, por exemplo, é suficiente para dobrá-las, fazendo-as gerar eletricidade.

Os pesquisadores demonstraram que vibrações ultrassônicas fazem as fibras piezoeletroquímicas curvarem suas extremidades entre 5 e 10 graus, criando um campo elétrico com uma tensão suficiente para quebrar as moléculas de água, liberando oxigênio e hidrogênio.

A taxa de eficiência das microfibras de óxido de zinco atinge 18%, medida em termos de sua capacidade de converter as vibrações em energia contida nas moléculas de hidrogênio produzidas. Os cristais piezoelétricos tradicionais apresentam uma taxa de conversão de 10%.

Para aproveitar as vibrações disponíveis em cada ambiente, basta crescer fibras de tamanhos variados, que se tornam sensíveis a frequências diferentes.

Bibliografia:

Direct Water Splitting Through Vibrating Piezoelectric Microfibers in Water
Kuang-Sheng Hong, Huifang Xu, Hiromi Konishi, Xiaochun Li
Journal of Physical Chemistry Letters
Vol.: 2010, 1 (6), pp 997-1002
DOI: 10.1021/jz100027t

IBM cria um mapa-mundi que mede 22×11 micra — 01/05/2010

IBM cria um mapa-mundi que mede 22×11 micra

É isso aí, manipulando matéria em escala nanométrica os caras conseguiram moldar em uma superfície polimérica um mapa mundial.

A escala usada é de 8 nanômetros para cada 1000 metros de altitude. O monte Everest, o mais alto ponto do planeta Terra, ficou representado por um pico de 64 nanômetros de altura.

Incrível né?

No vídeo abaixo dá para ter uma ideia do que eles fizeram (se você entende um pouco de inglês).

Descobri assistindo ao vídeo que o Youtube disponibiliza uma tecnologia experimental que tenta legendar o vídeo através do reconhecimento de voz. Em palavras simples, ele tenta legendar de acordo com o que está sendo falado na tela. Então, se você não saca muito da língua bretã, tente usar essa característica oferecido pela Google.

FONTE: Elite Tecnológica”

A tortura do pobre ursinho gummy — 29/04/2010

A tortura do pobre ursinho gummy

<Dr. Chatoff mode on>

A reação química mostrada no vídeo é simples, embora de resultados visuais surpreendentes.

O Clorato de potássio é um sal que, ao ser aquecido libera água. Essa água forma uma solução saturada do sal.

O doce "gummy bear" é uma daquelas famosas balinhas de gelatina que podemos encontrar nos supermercados.

Ela contém grande quantidade do açúcar sacarose (C12H22O11).

A reação balanceada, com a ajuda do nosso amigo webqc, é:

8 KClO3 + C12H22O11 à 8 KCl + 12 CO2 + 11 H2O

Ou seja, o Cloro passa do estado de oxidação 7+ para o estado 1- (ele se reduz) e o Carbono passa do estado de oxidação 0 para 4+ (ele se oxida).

Além disso, a reação é extremamente exotérmica.

8 KClO3 + C12H22O11 à 8 KCl + 12 CO2 + 11 H2

(Consultei os valores de entalpia-padrão de formação no NIST).

DH= {[8*(-436,38) + 12*(-393,52) + 11*(-285,83)]} kJ – {[8*(315,0) + 1*(-2222,2)]} kJ

DHR = -3144,13 kJ – 297,80 kJ = -3441,93 kJ

Olha, não sei quanto a vocês, mas uma reação que libere tudo isso de calor é uma reação altamente exotérmica para mim!

<Dr Chatoff mode off>

E era isso, eu queria apenas compartilhar a tortura da pobre bala de gelatina e explicar o que acontece do ponto de vista químico. Não quero me estender mais nesse post.
Dia da educação — 28/04/2010

Dia da educação

Nem eu sabia dessa, mas hoje é o Dia da Educação.

Aos que, como eu, tentam nadar nesse mar da docência, meus parabéns. 

Quem tenta ser professor nesse país, não importa em que nível de ensino, é um teimoso e merece todo o respeito.

Feliz dia da educação, e vou continuar a preparar minhas aulinhas aqui.

O átomo cúbico de Lewis —

O átomo cúbico de Lewis

Quem aí já não se sentiu tentado a ensinar a “regra do octeto” de Lewis aos seus alunos?

Aposto que muitos responderam com um sonoro “SIM”!

Pois bem, saibam que o Sr. Gilbert N Lewis nunca falou em uma “regra do octeto”. Essa ideia errônea foi propagada pela própria natureza da teoria de Lewis, nascida antes do surgimento da teoria quântica.

Ele baseou-se, principalmente, nas ideias de outro Químico, o Sr. Richard Abegg.
Este dizia que a diferença entre a valência positiva (número de cargas positivas) e a valência negativa (número de cargas negativas) era geralmente 8.

Em geral, para um determinado elemento químico (como o enxofre, por exemplo) a soma do valor absoluto da sua valência negativa (2- para enxofre em H2S) e sua mais elevada valência positiva (6+ de enxofre H2SO4) é geralmente igual a 8. (Exemplo da regra de Abegg, formulada em 1904).

Em 1916, o Sr. Gilbert N Lewis, publicou seu clássico trabalho “O átomo e a molécula”, no qual explicita a noção de um átomo cúbico. Para quem não lembra, escrevi um artigo curto sobre o que eu penso acerca da relação geometria e química AQUI. Esse novo post tenta estreitar mais os laços da filosofia antiga com a moderna. Espero que vocês gostem.

O átomo cúbico foi o primeiro modelo atômico no qual os elétrons estavam posicionados em oito cantos de um cubo em um átomo não-polar ou molécula. Esta teoria foi desenvolvida em 1902 por Gilbert N. Lewis e publicado em 1916 no famoso artigo “O átomo e a molécula”, ele usou a teoria para explicar o fenômeno da valência. 

A figura abaixo mostra as estruturas para os elementos da segunda linha da tabela periódica.

Cubical atom 1.png

Embora o modelo do átomo cúbico tenha sido logo abandonado em favor do modelo de mecânica quântica baseado na equação de Schrödinger, a teoria de Lewis é de interesse principalmente histórico e representou um passo importante para a compreensão da ligação química. 
 O artigo de 1916 de Lewis também introduziu o conceito de par de elétrons na ligação covalente e o que agora chamamos de estrutura de Lewis.

Ligações no modelo cúbico de átomo

Ligações covalentes simples são formadas quando dois átomos compartilham uma aresta, como na estrutura C abaixo. Isso resulta na troca de dois elétrons. Ligações iônicas são formadas pela transferência de um elétron de um cubo para outro, sem compartilhar uma aresta (A). Um estado intermediário B, onde apenas um canto é compartilhado também foi postulada por Lewis.


Cubical atom 2.png


Ligações duplas são formadas pelo compartilhamento de uma face entre dois átomos cúbicos. Isto resulta no compartilhamento de quatro elétrons:


Cubical atom 3.png


Ligações triplas não podiam ser explicadas pelo modelo do átomo cúbico, porque não há nenhuma maneira de dois cubos compartilharem três cantos. 

 Lewis sugeriu que os pares de elétrons em ligações atômicas têm uma atração especial, o que resulta em uma estrutura tetraédrica, como npróxima figura (a nova localização dos elétrons é representado pelos círculos pontilhados no meio das bordas grossas). 

 Isto permite a formação de um vínculo único, através da partilha de um vértice, uma ligação dupla, compartilhando uma aresta e uma tripla ligação através da partilha de uma face do cubo. 

 Ele também reproduz a rotação livre em torno de ligações simples e também a geometria tetraédrica do metano. 

Leia mais na sequência…
#more

Extraordinariamente, pode-se dizer que havia um grão de verdade nesta ideia, porque mais tarde foi mostrado que os resultados do princípio da exclusão de Pauli resultam em um “buraco de Fermi” cuja repulsão decresce entre um par de elétrons com spins opostos no mesmo orbital.

 

Cubical atom 4.png

 

Como essa teoria teve o mérito de explicar a ligação covalente sem recorrer a conceitos complicados da mecânica quântica, foi logo aceito e é ensinado até hoje nas escolas. O problema é que ele falha em explicar compostos de Boro e/ou compostos que aceitam mais do que 8 elétrons na camada de valência.


Isso faz com que muitos professores, apegados ao que eles chamam “regra do octeto”, preferem esconder as exceções para não estragar a beleza da tal regra. Só que ela não é uma lei, é uma regra, baseada em uma teoria parcialmente bem sucedida. Não podemos negar a elegância da proposição de Lewis, mas também não podemos atribuir-lhe um caráter de infalibilidade.


Ensinem a teoria de Lewis, mas evitem usar esse termo “regra do octeto”, e familiarizem-se com a história da ciência que vocês (eu inclusive) se dedicam a ensinar para evitar de propagar conceitos errôneos.

Para os mais curiosos, o artigo original de Lewis foi publicado aqui:

01/04/1916. “THE ATOM AND THE MOLECULE.

 Journal of the American Chemical Society 38 (4): 762–785.

 doi:10.1021/ja02261a002


FONTES: Wikipedia1, Wikipedia2, História da Química – Um livro-texto para a graduação