Diário de um Químico Digital 3.0

Química, TICs e outras treconologias. :)

Corantes artificiais, esses desconhecidos — 15/03/2010

Corantes artificiais, esses desconhecidos

Quem aí nunca ficou curioso para saber o que são aqueles códigos estranhos ao ler o rótulo de um produto alimentício?

O que é um C.I? E o que é um C.II? Sem falar nos C.III, C.IV e C.V!

Eu fiz uma pesquisa rápida e descobri uns links interessantes para vocês, vou resumir o resultado das minhas buscas a seguir.

Os códigos C.X representam a classe do corante.

  • C.I = corantes naturais
  • C.II = corantes artificiais
  • C.III = corantes sintéticos idênticos aos naturais
  • C.IV = corantes inorgânicos
  • C.V = corantes caramelo
Vou me restringir apenas aos corantes artificiais, por ora.

No Brasil, apenas alguns corantes artificiais são permitidos por lei.

São eles:

  • Tartrazina
  • Amarelo Crespúsculo (nada a ver com os vampiros que brilham no escuro)
  • Amaranto
  • Ponceau 4R
  • Vermelho 40
  • Eritrosina
  • Azul Indigotina
  • Azul Brilhante 
  • ——————————————-
  • Verde Rápido
  • Azul Patente V
  • Azorrubina

Vou mostrar para vocês a estrutura, o código do internacional e a cor que os corantes acima produzem

A Tartrazina é conhecida pelo código E102 ou C.I. 19140, sua estrutura é a seguinte:

Seu nome IUPAC é (4E)-5-oxo-1-(4-fenilssulfonato)-4-[(4-fenilssulfonato)hidrazono]-3-pirazolcarboxilato trissódico 

A cor? Amarela!

Amarelo Crepúsculo, também conhecido como E110, Amarelo 6 ou C.I. 15985. Possui a estrutura abaixo:

Seu nome IUPAC é  6-hidroxi-5-[(4-sulfofenil)azo]-2-naftalenossulfonato dissódico
Sua cor é o amarelo-alaranjado.

Amaranto, conhecido como E123, Vermelho 2, Vermelho Ácido 27 ou C.I. 16185. Nos EUA, ele foi banido em 1976, por suspeitas de ser carcinogênico. Possui a seguinte estrutura:

Seu nome IUPAC é (4E)-3-oxo-4-[(4-sulfonato-1-naftil)hidrazono]naftaleno-2,7-dissulfonato.

A cor produzida por ele é um vermelho-escuro tendendo ao púrpura.

Ponceau 4R, também conhecido como C.I. 16255 ou Vermelho Cochineal A, C.I. Vermelho Ácido 18, Escarlate Brilhante 4R ou E124. 

É um corante do tipo azo, cuja estrutura é exibida abaixo:

Seu nome IUPAC é (8Z)-7-oxo-8[(4-sulfonaftalen-1-il)hidrazinilideno]naftaleno-1,3-dissulfonato trissódico.

A cor produzida por ele é vermelha.

Vermelho 40, conhecido também como Vermelho Allura, Vermelho Alimentício 17, C.I. 16035 ou E129.

Nome IUPAC 6-hidroxi-5-((2-metóxi-5-metil-4-sulfofenil)azo)-2-naftaleno-sulfonato dissódico.

A cor produzida por ele é um vermelho parecido com o do morango.

A Eritrosina, conhecida também pelo nome de Vermelho número 3, é um corante de cor vermelho-cereja.

Sua estrutura é a seguinte:

 

A eritrosina é um sal dissódico da 2,4,5,7,-tetraiodofluoresceína. Nome IUPAC 2-(6-hidroxi-2,4,5,7,-tetraiodo-3-oxo-xanten-9-il) ácido benzoico.

O azul indignotina (indigotine), é o mesmo corante conhecido por Indigo Blue (o mesmo do Sr. Baeyer, aquela das calças jeans).

Também conhecido por Azul número 2 ou E132.

O nome IUPAC do corante Indigotina é 2,2′-Bis(2,3-dihidro-3-oxoindolilideno).

E, por último, temos o Azul Brilhante FCF. Também conhecido pelo nome de Azul número 1, Azul Ácido 9 ou E133. Ele pode ser combinado com a tartrazina a fim de produzir uma gama variada de verdes, já que a maioria dos corantes verdes artificiais é tóxica para consumo humano.

Nome IUPAC: N-etil-N-[4-[[4-etil[(3-sulfofenil)metil]amino]fenil](2-sulfofenil)metileno]-2,5-ciclohexadien-1-ilideno]-3-sulfo-dissódio (esse nome precisa ser confirmado, não tenho certeza da tradução).

Os três últimos corantes (verde rápido, azorrubina e azul patente V eu vou deixar para um próximo post, esse ficou muito extenso).

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Para saber mais sobre corantes e pigmentos de todos os tipos, vá ao link http://www.qmc.ufsc.br/qmcweb/artigos/dye/corantes.html

Acesse esse artigo da Química Nova para saber mais sobre os corantes permitidos no Brasil. 

Tem umas informações adicionais nesse outro link aqui: http://www.colourlovers.com/blog/2007/09/19/the-7-wonders-of-the-food-coloring-world

Por hoje era isso, desculpem pela diminuição na frequência dos posts, começaram as aulas e eu estou meio atrapalhado para postar.
O que fazer com as fitas VHS velhas? Simples, ferrofluido! — 12/03/2010

O que fazer com as fitas VHS velhas? Simples, ferrofluido!

E que diabos é um ferrofluido?

É um material inovador, com propriedades incomuns, formado por um líquido contendo microscópicas partículas ferromagnéticas dispersas nele.

As partículas usadas são, normalmente, de magnetita ou óxido de ferro. Elas estão presentes nas fitas usadas antigamente nos videocassetes. (lembram? parece que foi no milênio passado que eles existiam)

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Como as partículas estão dispersas, são facilmente afetadas por campos magnéticos. E como o líquido usado normalmente é bastante viscoso, é difícil romper a tensão superficial dele.

Quando um campo magnético é aplicado sobre o ferrofluído, o líquido viscoso e as partículas ferromagnéticas comportam-se como uma substância única, cuja forma é determinada pelo campo magnético aplicado.

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Nesta imagem o ferrofluido foi apoiado em uma base de vidro colocada sobre um ímã de terras raras (fonte: Wikimedia)

Os ferrofluidos se originaram na década de 1960, em tentativas da agência americana NASA – National Aeronautics and Space Administration de criar combustíveis que pudessem ser controlados na ausência de gravidade. A solução encontrada foi moer partículas magnéticas e dispersá-las no combustível, de modo que ele pudesse ser direcionado por meio da aplicação de um campo magnético. Desde então, as técnicas de síntese se aperfeiçoaram, e hoje se produz fluidos magnéticos das mais diferentes características, usados em diversas aplicações tecnológicas e biomédicas. (FONTE: Wikipedia)

Se você quiser fazer o seu em casa, pegue umas quatro fitas de videocassete (ou umas dez K7), retire toda a aquela parte marrom e flexível e dissolva em meio litro de acetona pura (essa vai ser difícil de conseguir, pois é uma substância controlada). Não esqueça de fechar o recipiente para a acetona não evaporar.

Filtre a mistura com o auxílio de um papel-filtro e um ímã, a fim de que o sólido seja atraído pelo ímã. Deixe a acetona residual evaporar do pó de óxido férrico, misture o sólido a uns 5 mL de óleo de cozinha e voilá. (FONTE: http://hypescience.com/21749-faca-em-casa-o-curioso-ferrofluido/)

E aí, alguém se arrisca a preparar o seu? Eu já estou me desfazendo das minhas antigas fitas para tentar fazer um.

Ah, eu descobri mais umas formas de preparar um ferrofluido e vou postar amanhã.

Um raio pode queimar a minha torrada? — 09/03/2010

Um raio pode queimar a minha torrada?

Vamos apelar ao Learn Something Everyday mais uma vez para não deixar o blog sem posts. 😛

LEGENDA: Um raio contém energia suficiente para tostar 160.000 fatias de pão.

hehehehe, acho que dá para fazer um mega café da manhã com um simples raio, né não?

Brincadeiras à parte, fui pesquisar o quanto de energia isso representa.

Encontrei a seguinte informação na Wikipedia (pai dos burros moderno):

Um raio negativo médio carrega um corrente elétrica de 30 kA (quiloampère), e transfere uma carga de 5C (Coulomb) e 500 MJ (mega Joule). Relâmpagos maiores podem carregar consigo até 120 kA e 350 C. 

A voltagem é proporcional ao comprimento do raio. Um raio médio de carga positiva carrega uma corrente de 300 kA ou 10 vezes mais energia que um raio de carga  negativa.

Molécula do dia – Morfina — 08/03/2010

Molécula do dia – Morfina

Morfina (C17H19NO3) é um analgésico opiáceo de alta potência, é o principal agente ativo do ópio e dos opioides. Como outros opiáceos (diacetilmorfina ou heroína), a morfina age diretamente no sistema nervoso central (SNC) no alívio da dor. 

Estudos acerca da eficácia de vários opioides têm indicado que, no gerenciamento de dores severas, nenhum outro narcótico analgésico é mais efetivo ou superior à morfina. A morfina é altamente viciante quando comparada a outras substâncias; a tolerância e a dependência física e psicológica desenvolve-se muito rapidamente. 
A palavra "morfina" é derivada e Morfeu, o deus grego dos sonhos.
 

Química

Nome IUPAC: (5α,6α)-7,8-didehydro-4,5-epoxy-17-methylmorphinan-3,6-diol

Estrutura:

File:Morphine-2D-skeletal.png

A maior parte da morfina lícita produzida é usada para preparar codeína por metilação. É também um precursos para a heroína (diacetilmorfina), hidromorfona e oximorfona.

A substituição do grupo N-metílico da morfina por um grupo N-feniletílico resulta em um produto que é 18 vezes mais potente que a morfina. Combinando essa modificação com a substituição da 6-hidroxila por um 6-metileno produz um composto 1440 vezes mais potente que a morfina, mais forte que os compostos de Bentley (como a etorpina, por exemplo).

Tanto a morfina quanto sua forma hidratada, C17H19NO3H2O, são pouco solúveis em água. 

Em cinco litros de água, apenas um grama do hidrato dissolverá. Por essa razão, as companhias farmacêuticas produzem sais de sulfato e de hidrocloreto dessa droga, ambas as quais são 300 vezes mais solúveis em água do que sua molécula-mãe.

Ao passo que o pH de uma solução saturada em hidrato de morfina é 8,5, os sais são ácidos. Desde que eles derivam de um ácido forte e uma base fraca, ambos apresentam pH em torno de 5 (ácido); como consequência, os sais de morfina são misturados com pequenas quantidades de NaOH (base) para torná-los injetáveis.

É interessante notar que a morfina foi recentemente descoberta como sendo um produto endogenamente formado por humanos, feito por células do coração, pâncreas e cérebro. Também tem sido isolado de uma gama de outros mamíferos, bem como de sapos e outros invertebrados. Ainda é incerto, entretanto, qual o papel da morfina endógena.

História e uso não-medicinal

Foi isolada pela primeira vez em 1804 em Paderborn, Alemanha pelo farmacêutico alemão Friedrich Wilhelm Adam Sertarner, o qual batizou o composto de "morphium" emhomenagema Morfeu, o deus grego dos sonhos. Mas até o desenvolvimento da agulha hipodérmica em 1853 o composto não era amplamente utilizado. A partir daí, a morfina passou a ser usada para alívio da dor, e como uma "cura" para o vício em ópio e álcool.

Mais tarde foi descoberto que a morfina era mais viciante que o álcool ou o ópio, e seu extensivo uso durante a Guerra Civil Americana resultou em 400.000 afetados pelo "mal dos soldados" causado pelo vício em morfina. Essa situação tem sido assunto de controvérisa, assim como tem sido sugerido que tal doença é, de fato, uma farsa e o mal dos soldados nunca veio a existir após o término da Guerra Civil.

Diacetilmorfina (mais conhecida como heroína) foi derivada da morfina em 1874 e trazida ao mercado por Bayer em 1898 (olha ele aí de novo). Heroína é aproximadamente 1,5-2 vezes mais potente que a morfina em uma base miligrama-a-miligrama. Usando uma variedade de medidas subjetivas e objetivas, a potência relativa da heroína em relação à morfina administrada intravenosamente a pós-viciados é de: 1,80 mg de sulfato de morfina equivalem a 1 mg de heroína. 

A farmacologia da heroína e morfina são idênticas exceto por dois grupos acetila que aumentam a solubilidade em lipídios da molécula de heroína, e assim a molécula entra no cérebro um pouco mais rapidamente.

Os grupamentos adicionais são então removidos, rendendo a morfina, a qual é a causadora dos efeitos subjetivos da heroína. Entretanto, os efeitos da morfina e heroína são idênticos, exceto que a heroína é ligeiramente mais potente e age ligeiramente mais rápido.

A morfina, juntamente com a heroína e cocaína, são proibidas e sua posse sem prescrição foi criminalizada pelo governo americano em 1914.

Em 1952, Dr. Marshall D. Gates Jr, foi a primeira pessoa a sintetizar quimicamente a morfina na Universidade de Rochester. Essa síntese é bem reconhecida no campo da química orgânica.

A morfina era o narcótico analgésico mais comumente abusado no mundo até que a heroína fosse sintetizada e passasse a ser usada. Mesmo hoje, a morfina é droga mais procurada por viciados em heroína quando essa se mostra escassa. 

Gírias (em inglês) para a morfina incluem M, Big M, Miss Emma, morph, morpho, Murphy, cube, cube juice, White Nurse, Red Cross, mojo, hocus, 13, Number 13, mofo, unkie, happy powder, joy powder, first line, Aunt Emma, coby, em, emsel, morf, dope, glad stuff, goody, God's Medicine, God's Own Medicine, hard stuff, morfa, morphia, morphy, mud, sister, Sister Morphine, stuff, white stuff, white merchandise e outros.

 
 
Software – GrafEq — 04/03/2010

Software – GrafEq

Procurando por um software para fazer aquele gráfico para a disciplina de Cálculo Diferencial?

Falta fazer aquele gráfico de função para um relatório de físico-química?

Que tal baixar e instalar o GrafEq?

O programinha conta com interface multilíngue, faz gráficos de funções explícitas e implícitas e ainda passa o café.

Deem uma olhada em uma tela de exemplo do programa em funcionamento:

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Na sequência, vejam alguns exemplos de uso do software que eu encontrei no site da empresa que comercializa o produto.

GrafEq Session, Graphing and Blending

GrafEq Session, Zooming Out and In

GrafEq Session, Editing Fancy Relations with Easy Buttons

Espero que tenham gostado da dica, eu sou um que vai passar a explorar um pouco mais esse programinha.

Sites para aprendizagem de assuntos variados – Parte 6 (Quid+) —

Sites para aprendizagem de assuntos variados – Parte 6 (Quid+)

A minha amiga Valéria me deu a dica desse site interativo lançado pela Sociedade Brasileira de Química.

O nome dele é Quid+.

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Fui lá, dei uma olhada e gostei. Daí, resolvi compartilhar com vocês o link.

Acessem o endereço http://quid.sbq.org.br e divirtam-se com atividades para aprendizado de Química.

Molécula do dia – Tilenol — 02/03/2010

Molécula do dia – Tilenol

 

Ficheiro:Paracetamol-skeletal.svgSeguindo a minha série de moléculas interessantes, vocês ficam hoje com a minha tradução livre para o texto sobre o paracetamol.

E, para aqueles que são estudantes de Química, tem umas partes sobre a síntese do fármaco que podem ser interessantes lá no final do texto.

Paracetamol ou acetaminofeno é o metabólito ativo da fenacetina, um analgésico derivado do alcatrão.

Diferentemente da fenacetina, o paracetamol não apresenta efeitos carcinogênicos em nenhum nível. Ele tem propriedades analgésicas e antipiréticas, mas, ao contrário da aspirina, não é muito efetiva como agente anti-inflamatório.

 

Ela é bem tolerada, carece de muito esfeitos colaterais da aspirina, e é vendido sem prescrição médica, por isso é comumente usado para o alívio da febre, dores-de-cabeça, e outras dores menores.

O paracetamol é também utilizável no gerenciamento de dores mais severas, ela permite dosagens menores de drogas adicionais anti-inflamatórias do tipo não-esteroidal ou de analgésicos opiáceos (derivados do ópio, que loucura :), minimazando os efeitos colaterais globais desses medicamentos.

O paracetamol é um ingrediente majoritário em numerosos medicamentos contra resfriados e gripes, incluindo tilenol e panadol, entre outros. Ele é considerado seguro para uso humano; entretanto, doses agudas podem causar danos hepáticos fatais comumente agravadas pelo uso de álcool, e o número de auto-envenenamentos acidentais e suicídios tem crescido nos anos recentes.

As palavras acetaminofeno e paracetamol vêm dos nomes químicos dos compostos:

paraacetilaminofenol e paraacetilaminofenol

A marca comercial tilenol também deriva desse nome: para-acetilaminofenol

História

Nos tempos antigos e medievais, conhecidos agentes antipiréticos eram compostos contidos na casca do salgueiro branco (uma família de compostos químicos conhecidos como salicinas, veja post anterior), e compostos contidos na casca da cinchona.

Casca de cinchona também era usada para criar a droga anti-malária conhecido por quinino (ou quinina), a qual possui efeitos anti-piréticos. Esforços para refinar e isolar a salicina e o ácido salicílico foram feitos na metade e final do século XIX, e foram completados por Bayer (não o das calças jeans, mas o outro que era dono da indústria química) e por Feliz Hoffmann (isto também foi conseguido pelo químico francês Charles Frederic Gerhardt 40 anos mais tarde, mas ele abandonou o trabalho após decidir que era impraticável).

 

Quando a árvore da cinchona tornou-se escassa nos anos 1880, as pessoas começaram a procurar por alternativas. Duas alternativas antipiréticas foram desenvolvidas nessa época: acetanilida em 1886 e fenacetina em 1887.

Harmon Northrop Morse sintetizou primeiro o paracetamol via redução do p-nitrofenol com estanho em ácido acético glacial em 1878; entretanto, o paracetamol não foi usado em tratamentos médicos por outros 15 anos. Em 1893, o paracetamol foi descoberto na urina de indivíduos que tinham ingerido fenacetina, e foi concentrada em um composto branco, cristalino com sabor amargo. Em 1889, o paracetamol foi identificado como um metabólito da acetanilida. Esta descoberta foi largamente ignorada naquela época.

Em 1946, o Institute for the Study of Analgesic and Sedative Drugs concedeu uma bolsa ao New York City Department of Health para estudo dos problemas associados com agentes analgésicos. Bernard Brodie e Julius Axelrod foram designados para investigar por que agentes não-aspirínicos eram associados com o desenvolvimento de metemoglobinemia, uma condição que diminui a capacidade de carreamento de oxigênio do sangue e é potencialmente letal. Em 1948, Brodie e Axelrod conseguiram associar o uso de acetanilidade com a doença e determinaram que o efeito analgésico da acetanilida era devido ao seu metabólito ativo paracetamol. Eles recomendaram o uso de paracetamol, desde que ele não apresentava os efeitos tóxicos da acetanilida.

O produto foi vendido primeiramente em 1955 pelos Laboratórios McNeil como um aliviante da febre infantil, sob o nome comercial de Elixir Tylenol para Crianças.

 

Em 1956, tabletes de 500 mg de paracetamol foram vendidos no Reino Unido sob a marca comercial Panadol, produzidos por Frederick Steam & Co, uma subsidiária da Sterling Drug Inc. Em 1958, uma fórmula infantil de panadol passou a ser vendida.

A patente americana do paracetamol já expirou faz tempo, versões genéricas da droga são amplamente disponíveis no mercado, embora algumas formulações estejam protegidas até o ano de 2007 sob a patente US 6,126,967 arquivada em 3 de setembro de 1998. (ou seja, a patente já venceu também a essa altura do campeonato).

<Dr. Chatoff mode on>

Química

Estrutura e Reatividade

O paracetamol consiste de um anel benzênico, substituído por um grupamento hidroxila e o átomo de nitrogênio de um grupo amida na posição para (1,4). O grupamento amida é a acetamida (etanamida). Ele constitui um sistema extensivamente conjugado, assim como o par isolado no oxigênio da hidroxila, a nuvem eletrônica pi do benzeno, o par isolado sobre o nitrogênio, o orbital p no carbono carbonílico, e o par isolado no oxigênio carbonílico estão todos conjugados. A presença de dois grupos ativadores também faz com que o anel benzênico seja altamente reativo em relação à substituição eletrofílica aromática. Como os substituintes são orto, para-diretores e para com respeito um ao outro, todas as posições no anel estão mais ou menos ativadas. A conjugação também reduz enormemente a basicidade dos oxigênios e do nitrogênio, enquanto fazem com que a hidroxila seja mais ácida através da deslocalização da carga desenvolvida no ânion fenóxido.

Síntese do paracetamol

Partindo do fenol, o paracetamol pode ser feito da seguinte maneira:

  1. O fenol é nitrado usando ácido sulfúrico e nitrato de sódio (como o fenol é altamente ativado, sua nitração requer condições muito brandas se comparado à mistura de ácido sulfúrico-ácido nítrico fumegante requerida para nitrar o benzeno).
  2. O isômero para é separado do isômero orto por destilação fracionada (existirá um pouco do isômero meta, já que o OH é orto-para-diretor).
  3. O 4-nitrofenol é reduzido a 4-aminofenol usando um agente redutor como o sódio borohidreto em meio básico.
  4. 4-aminofenol reage com anidrido acético a fim de produzir o paracetamol.

Note que a síntese do paracetamol carece de uma dificuldade muito significativa inerente a quase todas as sínteses de drogas. Falta de estereocentros significa que não existe necessidade de desenvolver uma síntese estereosseletiva. Sínteses industriais mais eficientes estão também disponíveis nos dias de hoje.

Notice that the synthesis of paracetamol lacks one very significant difficulty inherent in almost all drug syntheses: Lack of stereocenters means there is no need to design a stereo-selective synthesis. More efficient, industrial syntheses are also available.

<Dr. Chatoff mode off>

FONTE:World of Molecules

P.S.:Versão 3D da molécula aqui.

Formspring.me – Pergunte-me o que quiser sobre Química — 01/03/2010

Formspring.me – Pergunte-me o que quiser sobre Química

Resolvi testar esse negócio do formspring, vamos ver se é tão bacana como costumo ler em outros blogs.

Quem tiver paciência para digitar sua pergunta terá alguma resposta, mesmo que seja um simples “não sei”.

Ta aí o widget do formspring, contate-me e vamos ver se a gente chega a um acordo quanto à sua pergunta.

Ciência, Tecnologia e Sociedade — 28/02/2010

Ciência, Tecnologia e Sociedade

Estava de bobeira aqui em casa (mentira, estava preparando aulas mesmo) e lembrei dessa apresentação em PPT que eu preparei para um evento  que sediamos na minha universidade no ano passado.

Decidi disponibilizar para vocês, espero que gostem.

Trata-se de uma tentativa despretensiosa de abordar o trinômio CTS na educação em Química.

P.S.: A conversão que o posterous faz com o arquivo pptx pode não ser perfeita. 🙂

Dica – Scribd —

Dica – Scribd

Para quem nao tem dinheiro para comprar um bom livro de quimica pode se virar muito bem com o Scribd.

E o que é o Scribd, Márcio?

Basta dizer que no Scribd você pode procurar diversos documentos, livros, apresentações, etc.

 
Tudo que está lá é disponibilizado pelos próprios usuários do site.

Para vocês terem um exemplo, dá para procurar por livros de Química, aulas em formato Powerpoint (variados assuntos), etc.

 
Achei lá um experimento de físico-química, o qual incorporei ao conteúdo desse post só par exemplificar o que é possível encontrar por lá.