Eu estava me enrolando para escrever esse post, mas finalmente tomei coragem para fazê-lo.,

Estava eu hoje a tarde lendo algumas notícias e me deparei com essa aqui no site do yahoo

29e

 Reprodução da notícia na íntegra –>

Uma equipe internacional de astrônomos anunciou nesta segunda-feira a descoberta de um planeta que tem o céu iluminado por quatro sóis, o primeiro sistema estelar deste tipo identificado até hoje.

O planeta, batizado PH1, situado a cerca de 5.000 anos-luz da Terra (um ano-luz corresponde a 9,461 trilhões de quilômetros), está em órbita de dois sóis, e duas estrelas giram em torno destes.

Segundo os astrônomos, apenas seis planetas são conhecidos até hoje por ficarem em órbita em torno de dois sóis sem outra estrela distante orbitando seu sistema solar.

Esse sistema planetário circumbinário duplo foi inicialmente descoberto por dois astrônomos amadores americanos, Kian Jek e Robert Gagliano, que utilizaram o site Planethunters.org.

Astrônomos profissionais americanos e britânicos realizaram em seguida observações e medições com os telescópios Keck, situados no monte Mauna Kea, no Havaí.

“Os planetas circumbinários representam o que há de mais extremo na formação planetária”, afirma Meg Schwamb, uma pesquisadora da Universidade de Yale (Connecticut, nordeste), principal autor desta pesquisa apresentada na conferência anual da divisão de Planetologia da American Astronomical Society reunida em Reno, Nevada (oeste dos Estados Unidos).

“A descoberta de tais sistemas estelares nos obriga a repensar como esses planetas podem se formar e evoluir em um ambiente como este”, acrescenta ela em um comunicado.

Esta descoberta foi publicada online no site arXiv.org e foi submetida a publicação no Astrophysical Journal.

O PH1, um planeta gasoso gigante do mesmo tamanho de Netuno e com cerca de seis vezes o da Terra, orbita em torno das duas primeiras estrelas, de uma massa respectivamente de 1,5 e 0,41 vez o do nosso sol, em 138 dias.

As duas outras estrelas fazem parte desse sistema planetário a uma distância de cerca de mil vezes a que separa a Terra do Sol.

O site Planethunters.org foi criado em 2010 para estimular os astrônomos amadores a identificarem exoplanetas –planetas situados fora do nosso sistema solar– com os dados coletados pelo telescópio espacial americano Kepler.

Lançado em março de 2009, o Kepler tem como objetivo pesquisar exoplanetas semelhantes à Terra em órbita em torno de outras estrelas.

Fim da reprodução da notícia…

Maaaaaaaassssss, o que tewm de legal na notícia?

Vamos analisar detidamente as partes do texto que eu propositalmente colori.

1) … dois astrônomos amadores americanos, Kian Jek e Robert Gagliano, que utilizaram o site Planethunters.org.

Os caras usaram um SITE para descobrir um planeta que tem como vizinhos QUATRO sóis. (Isaac Asimov dá um IpI, IPI HURRA na tumba.)

Planethunters1

O http://planethunters.org coleta exibe aleatoriamente dados enviados pelo telescópio Kepler em um gráfico relativamente simples de ser analisado.

Briefing-browse

O site estimula os usuários a analisar a luminosidade de uma estrela ao longo do tempo. Se a luminosidade decair bruscamente em um intervalo regular de tempo, é porque algum corpo celeste grande (um planeta, por exemplo) pode estar passando na frente dele.

Vamos continuar a análise…

2) Astrônomos profissionais americanos e britânicos realizaram em seguida observações e medições com os telescópios Keck, situados no monte Mauna Kea, no Havaí.

Não só os caras se valeram de um site para descobrir o planeta, mas a comunidade científica deu crédito ao trabalho dos dois.

Que confiança na análise de dois amadores que usaram um site para fazer essa descoberta, né?

Se fosse aqui no Brasil, ainda acusariam os dois amadores de tentarem obter publicidade gratuita e acusariam os cientistas de desperdiçar o dinheiro público com bobagens. Sem contar que o povão liga que nem doido em véspera de eliminação no BBB…

3) Esta descoberta foi publicada online no site http://arXiv.org e foi submetida a publicação no Astrophysical Journal.

Tá, eles publicaram os resultados em um repositório aberto de versões eletrônicas de livros, artigos e brochuras com algo em torno de 791.922 documentos nas áreas de física, Matemática, Ciências da Computação, Biologia Quantitativa, Finanças e Estatística.

(Não sei se jpa convenci vocês que o caminho percorrido pelos astrônomos amadores tem tudo a ver com o uso das tecnologias, mas eu fiquei super-empolgado com essa história e vou continuar minha verborragia.)

O http://arxiv.org é mantido pela Cornell University, só para constar.

 

Após tudo isso, o artigo foi submetido a um periódico de grande impacto na área de astronomia, só isso. 😉

E já que eu estou viajando na maionese nesse post longo, vou aproveitar para dizer o porquê de ter citado Isaac Asimov antes:

Ele escreveu um livro chamado “O Cair da Noite“, eu co-autoria com Robert Silverberg, que falava de um planeta hipotético que orbitava SEIS sóis e que nunca experimentava a escuridão. No entanto, um grupo de astrônomos prevê que os seis sóis se alinhariam e uma até então desconhecida lua bloquearia a luz dos sóis, fazendo com que a escuridão se instalasse por algumas horas nesse mundo hipotético.
Uma suposta ordem secreta dizia poder prever o dia e hora desse grande eclipse total dos sóis, e aí começa o embate entre ciência e religião, fazendo com que a história prenda o leitor facilmente. o/ 

O romance em si é muito bom, eu recomendo a leitura a quem gosta do gênero de ficção científica, principalmente porque o pano de fundo científico ajuda os autores a contar uma história que tem tudo a ver com o momento pelo qual passamos atualmente: o cada vez mais acirrado embate entre ciência e religião.

Como sóis possuem grande massa, grande também é a atração gravitacional que eles exercem sobre um mísero planetinha.

Agora, imaginem um mundo como o PH1, que orbita quatro sóis!.

Coitado, deve viver sendo constatemente puxado e empurrado, deformado e coisas e tal devido à grande influências gravitacional desses sóis.

Eu acho bem improvável que mundos como esses sustentem vida similar à terráquea, o que é muito triste para um fã de Asimov como eu, que nunca vai poder ver o mundo de “O cair da noite” ser descoberto de fato.

Ademais, parabéns aos dois descobridores do novo planeta e aos ideaçizadores do planethunters, ambos prestaram um grande serviço à ciência (e aos amantes da TICs, como eu o/).

 

 

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