Diário de um Químico Digital 3.0

Química, TICs e outras treconologias. :)

d-limoneno — 12/02/2010

d-limoneno

Eu estava assistindo TV e notei que estão apregoando as fantásticas propriedades dessa substância como repelente natural de mosquitos e, portanto, como aditivo natural de uma famosa marca de inseticida.

Daí eu pensei: Será que o povão fica curioso para saber o que é esse bendito d-limoneno?

Estejam vocês curiosos ou não, eu vou escrever um pouco sobre esse composto orgânico.

Em primeiro lugar, é preciso saber de onde ele é obtido.

Pesquisei nas internetes e encontrei uma empresa americana chamada "Florida Chemical" que dedica-se a extrair produtos da casca de cítricos desde 1942.

Juntei uns textos daqui, outros dali, e montei esse post.

1) Fórmula química do d-limoneno

Skeletal structure of the R-isomer

d-Limoneno é um hidrocarboneto, classificado como um terpeno cíclico. É uma molécula quiral, e sua ocorrência biológica natural se dá sempre sob uma das formas enantioméricas. As frutas cítricas fornecem o d-limoneno ((+)-limoneno), que também é conhecido quimicamente como o enantiômero-(R).

<Dr. Chatoff mode on>
Hidrocarboneto = molécula composta apenas por átomos de carbono e hidrogênio
Terpeno = categoria de compostos orgânicos cuja estrutura básica é o isopreno, derivado nas plantas do ácido mevalônico.

Molécula quiral = Toda molécula que apresenta arranjos diferentes de átomos em torno de um átomo central e que produz dois arranjos que comportam-se como reflexos um do outro é classificada como quiral. A palavra quiral vem do grego "chiron", que significa "mão". O termo se relaciona também com "enantiômero" (significado = opostos).

(+)-limoneno = o sinal + refere-se ao comportamento que esse enantiômero do limoneno apresenta quando exposto à luz plano-polarizada (explico isso em um outro post). Basicamente, o d-limoneno desvia a luz polarizada no sentido horário, por isso o símbolo (+).

d-limoneno = a letra "d" quer dizer a mesma coisa que o símbolo (+), vem da palavra "dextrógiro", que significa "desvia a luz polarizada para a direita".

1-metil-4-prop-1-en-2-il-cyclohexeno = nome IUPAC do d-limoneno.

<Dr. Chatoff mode off>

2) Como ele é obtido?

Ele é o componente majoritário do óleo extraído de cascas de frutas cítricas. Quando as frutas cítricas são espremidas para se obter suco, o óleo é pressionado para fora da casca. O óleo é separado, e é destilado para recuperar certos compostos aromáticos e saborizantes. O óleo bruto é coletado. Esse óleo é usado para fins de aditivação alimentícia.

Após o processo de produção de sucos, as cascas são levadas a um extrator por vapor. Esse aparelho extrai mais óleo da pele das frutas. Quando o vapor é condensado, uma camada de óleo flutua na superfície da água condensada. Esse é o d-limoneno usado para fins técnicos.


3) Aplicações do d-limoneno (além de repelente de mosquitos)

d-limoneno: um limpador por natureza

Na década passada, o uso dessa substância expandiu-se tremendamente. Tem sido extremamente usado na fabricação de tintas sólidas, conferindo um certo odor de laranja aos produtos, e usado como um fluido de resfriamento secundário.

O maior segmento em crescimento envolve o uso do d-limoneno em produtos de limpeza domésticos/industriais, como solvente ou mesmo como composto solúvel em água.

Como solvente, ele pode substituir uma ampla variedade de produtos, incluíndo óleos minerais, MEK (metil-etil-cetona), acetona (propanona), tolueno, éteres glicólicos, e naturalmente solventes orgânicos fluorados e clorados. Como muitos solventes orgânicos, d-limoneno não é solúvel em água, assim ele pode ser usado em unidades de separação de água. Com uma constante de equilíbrio básica (Kb) de 67, d-limoneno tem propriedades de solubilidade próxima às dos CFCs (clorofluorcarbonos), indicando que ele é um solvente muito melhor que um típico óleo mineral. O d-limoneno pode ser usado em sprays desengordurantes ou óleos para banho, ou como um substituto direto a muitos solventes orgânicos.

Combinando o d-limoneno com um surfactante, pode-se obter uma solução possível de ser diluída e misturada com água. Em muitos casos esses produtos são usados em produtos de limpeza em substituição a produtos cáusticos ou a outros produtos solúveis em água. Uma solução concentrada de d-limoneno/solução surfactante pode ser preparada a fim de ser diluída posteriormente. As concentrações de tais soluções giram em torno de 5-15%. Em geral, são usadas em sprays de limpeza. As soluções solúveis em água são usadas em plantas industriais onde a remoção de resíduos solúveis ou não em água é desejada.

How do we get d-Limonene | Citrus Oil Manufacturing Process

FONTES:
Wikipedia
Florida Chemical

Sites para aprendizagem de assuntos variados – parte 5 — 10/02/2010

Sites para aprendizagem de assuntos variados – parte 5

O site de hoje é o Inovação Tecnológica. Eu conheço-o há um bom tempo, embora não seja um leitor assíduo.

É um site bem interessante sobre tecnologia, dividido em várias seções, com atualidades do meio científico, acadêmico e industrial.

A maior vantagem (para aqueles com um pouco de preguiça de aprender outra língua) é que o site é totalmente em português.

Siiiiimm, a língua de Camões impera nesse site.

Não deixe para depois, visite-o sem demora no seguinte link e divirta-se.

Para estimulá-los, eu selecionei uma notícia sobre a relação entre nanotecnologia e arte.

http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=ciencia-arte-veja-belezas-reveladas-pela-nanotecnologia&id=010865100129

The Element Song — 09/02/2010

The Element Song

Essa música já é bem manjada no youtube, mas eu acho muito legal para deixar passar sem postar aqui no blog.

Basicamente é uma musiquinha bem ritmada que cita TODOS os elementos da tabela periodica.

Eu selecionei algumas versões do vídeo, cada uma com uma característica diferente.

A primeira é meio parada mas é interessante por mostrar a posição do elemento na tabela periodica que está sendo cantado na música.

A segunda versão mostra uma animação bem bonitinha, legal para ser usada em sala de aula para despertar o interesse da gurizada pela Química.

E, para os mais curiosos, a terceira versão contém a letra da música.



There's antimony, arsenic, aluminum, selenium,
And hydrogen and oxygen and nitrogen and rhenium,
And nickel, neodymium, neptunium, germanium,
And iron, americium, ruthenium, uranium,
Europium, zirconium, lutetium, vanadium,
And lanthanum and osmium and astatine and radium,
And gold and protactinium and indium and gallium, (gasp)
And iodine and thorium and thulium and thallium.

There's yttrium, ytterbium, actinium, rubidium,
And boron, gadolinium, niobium, iridium,
And strontium and silicon and silver and samarium,
And bismuth, bromine, lithium, beryllium, and barium.

There's holmium and helium and hafnium and erbium,
And phosphorus and francium and fluorine and terbium,
And manganese and mercury, molybdenum, magnesium,
Dysprosium and scandium and cerium and cesium.
And lead, praseodymium and platinum, plutonium,
Palladium, promethium, potassium, polonium,
And tantalum, technetium, titanium, tellurium, (gasp)
And cadmium and calcium and chromium and curium.

There's sulfur, californium and fermium, berkelium,
And also mendelevium, einsteinium, nobelium,
And argon, krypton, neon, radon, xenon, zinc and rhodium,
And chlorine, carbon, cobalt, copper, tungsten, tin and sodium.

These are the only ones of which the news has come to Hahvard,
And there may be many others but they haven't been discahvered.

Sir Isaac Newton, o teimoso — 08/02/2010

Sir Isaac Newton, o teimoso

Nov18_copy

Vi essa lá no Learn Something Everyday e achei engraçado.

O maior físico do mundo, pai de diversas teorias e fundador da Física Moderna era uma pessoa sui generis. Isso não é nenhuma novidade.

O que vocês não sabiam era que ele se recusava a usar uma colher para comer.

Eu queria ver ele tomando sopa, será que ele virava a cumbuca e sorvia a sopa? Ou será que ele fazia uma conchinha com as mãos? hehehehe

Tá, são especulações puramente especulativas e inúteis.

Mas estou com pouco tempo de escrever e com menos tempo para escrever coisas profundas no dia de hoje.

Durmam com esse barulho! 😛

P.S.: Estou preparando um guia de uso do Symyx Draw que pretendo usar para ensinar os meus alunos. Ah, e em breve vou postar uns fatos interessantes sobre a vida do Sir Isaac Newton no tocante à Química.

Nigeriano cria uma geladeira que funciona sem eletricidade — 07/02/2010

Nigeriano cria uma geladeira que funciona sem eletricidade

Criado em 1976 para promover um espírito de empreendedorismo ao redor do mundo, o Rolex Awards reconhece projetos pioneiros que demonstrem pensamento inovador e contribuem para o aprimoramento da humanidade.

Desde que foi criado, o Rolex Awards já obteve mais de 25800 projetos inscritos e já concedeu 110 prêmios.

O laureado do ano 2000, o Sr. Mohammed Bah Abba (Nigéria), criou um inovador sistema de refrigeração que não utiliza eletricidade e é acessível às mais carentes localidades de seu país. 

 

Mohammed Bah Abba

 

Batizado de “pot-in-pot preservation cooling system“, esse sistema é também chamado de “refrigerador do deserto” e utiliza um princípio básico da físico-química para conservar frutas e vegetais sem usar nada de energia elétrica.

Consiste de dois potes de barro cozido de diferentes diâmetros, o de diâmetro menor é posicionado dentro do de diâmetro maior e o espaço entre eles é preenchido com areia.

A areia deve ser mantida umedecida permanentemente a fim de que a refrigeração possa ser mantida.

O pote menor é usado para armazenar as frutas e os vegetais e, por sua vez, é coberto com um pano umedecido.

 

 

A geladeira do deserto funciona por um processo muito simples, a água contida na areia absorve o calor dos alimentos e o calor do ambiente, ao fazer isso ela evapora. O calor retirado dos alimentos é usado para a mudança de estado físico da água (do líquido para o vapor) e, como consequência, a temperatura no interior da geladeira diminui vários graus.

Experimentos realizados pela University of Benin City com um sistema de refrigeração similar ao do Sr. Mohammed mostraram que é possível obter temperaturas de 14 a 20 graus abaixo da temperatura ambiente.

O interessante do trabalho do Sr. Mohammed não foi a invenção do aparato, mas a forma como ele estimulou a população a adotar seu invento. Inicialmente ele presenteava as pessoas com os potes, em seguida ele passou a cobrar um valor próximo ao custo dos potes de barro, a fim de custear novas unidades para diferentes famílias ainda não atendidas pelo invento. A partir do momento em que a invenção foi amplamente aceita pela população, ele assegurou-se que o processo de produção e distribuição fosse auto-sustentável.

As pessoas atendidas pelo invento puderam guardar seus alimentos não mais por TRÊS DIAS, mas por até TRÊS SEMANAS.

Ele merecidamente ganhou o prêmio de 100.000 doletas, aplicou todo o prêmio na produção de novos potes de barro, empregando população local e gerando renda.

Os potes menores são vendidos por US$ 2,00 e os maiores US$ 4,00; um preço bastante acessível para as populações pobres da Nigéria.

<Dr. Chatoff mode on>

Explicação segundo as leis da termodinâmica:

O calor SEMPRE flui do corpo mais quente para o corpo mais frio, é uma lei natural e é SEMPRE observada. Acontece que o corpo mais quente possui moléculas mais desordenadas e agitadas. As moléculas mais agitadas colidem com as paredes do recipiente com maior frequência, transferindo energia cinética. Essa energia cinética vai lentamente sendo transmitida para as moléculas menos agitadas do recipiente com menor temperatura. Ao longo do tempo, a tendência é que as moléculas dos dois recipientes (o quente e o frio) atinjam a mesma temperatura (mesmo grau de agitação térmica).

Como no caso da geladeira do deserto o sistema é aberto, quando as moléculas de água “roubam” calor das frutas e vegetais elas passam mais facilmente ao estado de vapor e escapam para o ambiente, levando o calor das frutas consigo. Por isso a necessidade de molhar continuamente a areia e o pano.

<Dr. chatoff mode off>

FONTE: MDiG

Como o óleo de soja vira margarina? — 06/02/2010

Como o óleo de soja vira margarina?

Pois é, aproveitando o post anterior que falava dos sabões e sua relação com as gorduras e óleos vou continuar a desenvolver esse raciocinio.

O que faz um óleo ser líquido e o que faz com que esse líquido vire uma pasta?

<Dr. Chatoff mode on>
————————————————–
O óleo de soja é composto pelos seguintes triglicerídeos oleosos insaturados:

Oleic-acid-skeletal.svg

Além disso, contém os seguintes ácidos graxos saturados:

Notem que as cadeias carbônicas são longas e sempre apresentam números pares de carbonos.
—————————————————————————————–
<Dr. Chatoff mode off>
 
Viram aquelas ligações duplas? Elas são chamadas de insaturações e são responsáveis por, entre outras coisas, impedir que as cadeias se acomodem de forma eficiente umas sobre as outras.

Isso faz com que, à temperatura ambiente, a substância que chamamos de óleo de soja seja líquida. Em palavras mais amigáveis, as cadeias não sofrem empacotamento e, por isso, elas ficam mais afastadas umas das outras.

Daí, vem um engenheiro e manda o óleo de soja para um reator químico. Esse reator é quente e recebe uma carga de um pó muito fino de níquel e hidrogênio.

O níquel é um metal capaz de adsorver muito, mas muito mesmo, hidrogênio gasoso.

O hidrogênio adsorvido pelo níquel está doidinho para reagir com as insaturações dos ácidos linolênicos e oléico.

Só que o engenheiro foi esperto e adicionou apenas a quantidade certa de gás hidrogênio ativado, usando cálculos estequiométricos industriais (na escala de toneladas), para fazer sumir apenas algumas das ligações duplas.

O resultado disso é que as cadeias carbônicas ficam mais fáceis de empacotar, pois com o sumiço da ligação dupla as cadeias ficam mais lineares e mais próximas umas das outras.

Se as cadeias do óleo de soja ficam mais próximas, a aparência e a consistência da coisa toda fica mais próxima de um sólido.

<Dr Chatoff mode off>
————————————————–

O que era um liquido é agora uma pasta incolor, inodora e insípida.

Adicionam-se conservantes, antioxidantes, aromatizantes, corantes e outras substâncias para deixar a coisa com cara e cheiro de manteiga.

A coisa toda é cuspida dentro de potinhos e acaba chegando na sua mesa.

E aí, gostaram? A coisa parece difícil mas não é.

Mais adiante eu escrevo um post falando sobre os ácidos ômega e sobre como essas forças intermoleculares que permitem transformar um líquido em um sólido se relacionam com as doenças cardíacas.

Ah, e eu vou fazer um passo-a-passo de como é possível desenhar essas moláculas no Symyx Draw.

Software – Water Molecular Dynamics — 04/02/2010

Software – Water Molecular Dynamics

Acho que todo mundo sabe, ou pelo menos deveria saber, que os líquidos constituem um estado físico intermediário entre o sólido e gasoso.

Em palavras bem cruas: sólidos cristalinos são altamente organizados e, portanto, rígidos e difíceis de fundir. Gases são altamente caóticos e com moléculas muitos afastadas umas das outras, sendo muito fácil aumentar sua temperatura.

Os líquidos são mais organizados que um gás,as partículas estão mais próximas umas das outras e "sentem" a presença das moléculas da vizinhança.

No entanto, a organização é menor quando comparamos a um sólido, sem falar nas distâncias entre moléculas, que são ligeiramente maiores.

Embora tenhamos boas teorias para descrever o estado sólido e o estado gasoso, não temos teorias tão abrangentes para descrever o estado líquido.

Para um professor é meio difícil explicar o que é estado líquido sem exibir algumas ilustrações ou até mesmo animações que caracterizem o estado líquido.

Para ajudar nessa tarefa, recomendo um software bem simples, desenvolvido pelo “Center of Polymer Studies” da Boston University.

Trata-se de um pequeno programinha que simula a água, que permite alterar parâmetros de temperatura e densidade e, principalmente, auxilia na visualização de moléculas de água em movimento.

A base física do programa reside na Dinâmica Molecular, que trata as moléculas como esferas macias unidas entre si por potenciais harmônicos (sabem aquelas molas que se estudava em Física, pois é, esses são os potenciais harmônicos).

As moléculas são postas em movimento usando-se equações de movimento de Newton, e qualquer computador caseiro consegue rodar uma simulação pequena como a do software em questão.

Clique nesse link, baixe o programinha Water Molecular Dynamics v1.1 , instale e comece a divertir-se com a água. O legal é que o seu computador não vai ficar molhado, a água é virtual. 🙂

Revista Química Nova na Escola — 03/02/2010

Revista Química Nova na Escola

O post de hoje vai ser curtinho, estou sem tempo para escrever.

Vocês que são estudantes de química, curiosos, professores ou simplesmente precisam de uma fonte confiável de textos atuais sobre esse assunto, podem contar com a revista Química Nova na Escola.

A revista é editada pela Sociedade Brasileira de Química, que para os Químicos do Brasil dispensa apresentações. A SBQ é a responsável por promover discussões acerca do exercídio da profissão no meio acadêmico em suas mais diferentes vertentes.

Graças à SBQ, a Química no país tem se desenvolvido cada vez mais, seja no âmbito acadêmico ou no âmbito industrial.

A revista Química Nova na escola é uma publicação semestral, dedicada principalmente aos professores de Química do Ensino Médio, mas pode ser usada tranquilamente em cursos de Licenciatura.

Para acessar os artigos já publicados, entre em http://qnesc.sbq.org.br/.

Por hoje era isso, abraços digitais.

Mapas conceituais — 01/02/2010

Mapas conceituais

A dica de hoje é, ao mesmo tempo, acerca de um site e de um conceito muito usado na área de educação e de informática:

Vou falar bem rapidamente sobre os mapas conceituais, ou como eles são mais conhecidos, mapas mentais.

Basicamente, os mapas conceituais são uma tentativa de expressar a maneira como o cérebro humano relaciona ideias, fatos, conhecimentos, etc.

No ensino de ciências, por exemplo, esses mapas são usados para traçar estratégias de ensino de um determinado conteúdo, mapeando-se os conteúdos e relacionando-os de forma estruturada.

Também podem ser usados para avaliar a compreensão dos estudantes acerca de um determinado conteúdo, solicitando-se que eles montem seus próprios mapas ao final do período em que se passou estudando aquele assunto.

Pode-se utilizar os mapas conceituais com o intuito de avaliar e quantificar o aprendizado.

Na área da informática, principalmente entre o pessoal que trabalha com programação, os mapas mentais são usados para relacionar partes de um programa entre si, de forma a elaborar estratégias que permitam chegar ao software final de forma eficiente.

Quem já fez algum curso de programação (FORTRAN77 o/, tá valendo) provavelmente usou algo parecido, chamado pelos professores de fluxograma. Um fluxograma não é exatamente um mapa mental, mas aproxima-se bastante de um.

Na área de publicidade, os mapas mentais podem ser usados como auxiliares do brainstorming, a fim de criar novas peças publicitárias, etc. (Não sou publicitário, então não vou ficar falando muito sobre o que eu não sei.)

E para deixar de enrolação, deixo com vocês a dica de um site que permite fazer um mapa conceitual (ou mental) sem a necessidade de instalação de nenhum software.

Acessem o site bubbl.us e comecem imediatamente a fazer o seu mapa mental.

Media_httpimg109image_egegv

É grátis, é rápido, você pode fazer um rápido cadastro e compartilhar seu mapa com colegas de trabalho/escola, pode salvar o mapa como figura e ainda pode enviá-lo por e-mail.

Esse post do Meio Bit fala um pouco mais sobre os mapas conceituais e dá algumas dicas valiosas de softwares para quem deseja se se aprofundar nessa técnica.

P.S.: Eu nem quis entrar em detalhes didático-pedagógicos sobre os mapas conceituais porque isso sairia do escopo desse blog. Aqui eu pretendo escrever as coisas de modo bem informal.

A solução para “O colar de Demócrito” — 30/01/2010

A solução para “O colar de Demócrito”

A SOLUÇÃO PARA “O COLAR DE DEMÓCRITO”

Giorgio Carboni, Maio de 1999
Traduzido e versado do original publicado por Ron Wickersham, Santa Rosa, California, USA

 


PROBLEMA

Determinar o comprimento da fileira que é obtida quando os átomos de um grão de sal de cozinha de volume igual a 1 mm3são postos um ao lado do outro.

 

 

DADOS
(retirados do CRC Handbook of Chemistry and Physics)

Densidade do sal d(NaCl) = 2,165 g/cm3
Massa molar do sódio M(Na) = 22,9898 g massa de 1 mol de sódio
Massa molar do cloro M(Cl) = 35,453 g massa de 1 mol de cloro
Número de Avogadro N = 6,0221 × 10 23 Número de átomos em 1 mol

 


SOLUÇÃO N° 1

Com base na densidade do sal, na massa de um mol de NaCl e no número de Avogadro, calcule o número de átomos em um grama.

Com base no número de átomos presentes em um grama e no comprimento de ligação, calcule o comprimento da fileira que resulta quando você posiciona os átomos lado a lado.

 

Cálculo do número de átomos em um grão de sal:

Massa molar do
sal de cozinha
M(NaCl) = M(Na) + M(Cl)
M(NaCl) = 22,9898 g + 35,453 g
M(NaCl) = 58,4428 g
massa do grão
de sal
massa do grão = d(NaCl)/1000 cm -3
massa do grão = 2,165g.cm -3/1000 cm -3
massa do grão = 2,165 × 10 -3 g

número de moléculas no grão
n°moléculas = N × massa do grão/M(NaCl)
n°moléculas = 6,0221 × 10 23 × 2,165 × 10 -3 / 58,4428
n°molecules = 2,2309 × 10 19

número de átomos
no grão de sal
n°átomos = n°moléculas × 2
n°átomos = 2,2309 × 10 19 × 2
n°átomos = 4,4618 × 10 19

 

Cálculo do comprimento da fileira de átomos no grão:

comprimento de ligação (cl)
cl = 1 / raíz cúbica do número de átomos presentes no grão
cl = 1 / raíz cúbica de of 4,4618 × 10 19
cl = 2,8194 × 10 -7 mm
  cl = 2,8194 × 10 -10 m
   
Comprimento do colar (L)
L = cl × número de átomos
L = 2,8194 × 10 -10 m ´ 4,4618 × 10 19
L = 12,58 × 10 9 m
L = 12,58 × 10 6 km

 


SOLUÇÃO N° 2

Considerando os átomos como sendo esféricos, desde que nós saibamos seus diâmetros, é possível determinar por geometria quantas dessas esferas estão contidas em um volume de 1 mm3.

Nos cristais de sal, os átomos ocupam os nós de uma rede cúbica. Vamos assumir que os átomos possuem todos as mesmas dimensões. Na realidade o átomo de Cloro tem o dobro do diâmetro do átomo de Sódio, mas essa diferença não tem influência no resultado final. De fato, se o comprimento de ligação permanecer o mesmo, os nós do retículo cristalino permanecem inalterados também.

A fim de pensar sobre esse método, nós lançaremos uma hipótese de que os átomos têm um diâmetro D – 0,1 mm. Neste caso, o número de átomos presentes no cubo poderia ser igual a: 10 x 10 x 10 = 1000.  Posicionando os 1000 átomos em uma fileira, nóscalculamos o comprimento: 1000 x 0,1 = 100 mm.

Dessa consideração nós podemos criar a seguinte fórmula:

L = sl/D × sl/D × sl/D × D

Da qual podemos obter:   L = sl3/D2

onde sl é o comprimento do lado do cubo e D é o diâmetro médio dos átomos e o comprimento da ligação ao mesmo tempo. A fração sl/D  expressa o número de átomos presentes ao longo de um lado do cubo.  Assim, de uma forma muito simples, substituindo D com o comprimento de ligação dos átomos no sal e expressando todas as dimensões em milímetros, nós obtemos:

Comprimento do colar(L)
L = sl3/cl2
L = 1/(2,8194 × 10 -7 )2 mm
L = 1,258 × 10 13 mm
L = 12,58 × 10 6 km

 


CONCLUSÃO

O colar de Demócrito tem em torno de 12,58 milhões de quilômetros de comprimento! Esta dimensao é mais que 33 vezes a distância entre a Terra e a Lua (384000 km). Longe de ser negligenciável esse colar! Quando Demócrito contar o resultado a Leucipo, ele ficará atônito. E nós estamos estupefatos também. Não apenas pelo comprimento do colar de Demócrito, mas também e acima de tudo pelas dimensões dos átomos que até agora nós nunca tínhamos imaginado serem tão diminutas, para não falar do número astronômico de átomos contido em um grão de sal. Na próxima vez que você encontrar um grão de sal no saleiro sobre a mesa, segure um grão entre seus dedos e olhe-o por alguns momentos, ele merece sua contemplação

 

— oOo—

Algumas informações sobre Leucipo: http://www-groups.dcs.st-and.ac.uk/~history/Mathematicians/Leucippus.ht ml
Algumas informações sobre Demócrito: http://www-groups.dcs.st-and.ac.uk/~history/Mathematicians/Democritus. html

FONTE:Fun Science