Estive ontem no Campus Dom Pedrito da UNIPAMPA a convite dos Acadêmicos dos Cursos de Licenciatura em Ciências da Natureza e Licenciatura em Educação no Campo.
Agradeço a recepção e o acolhimento de todos os acadêmicos e dos professores, foi bem legal conhecê-los e logo estarei de volta para trocar mais experiências.
Como citei durante a minha fala, eu costumo deixar o material da palestra online, e aqui estou eu cumprindo a promessa.
Aos demais leitores do blog, sintam-se à vontade para baixar e usar o material.
Nesse post aqui, eu falei sobre como criar bolhas de sabão fantasmagóricas usando tinta de caneta marca-texto.
Também falei que era possível usar apenas água tônica. Pois bem, no post de hoje eu vou mostrar como se pode alguns truques legais usando a água tônica.
Pois é, essa molécula também atende pelo simpático nome IUPAC 1,4-bis[(propan-2-il)amino]-9,10-dihidroantracen-9,10-diona.
Essa molécula tem uma forte relação com a data que se aproxima, a saber, a comemoração da independência dos Estados Unidos da América (lar dos bravos, terra da liberdade, blablabla).
Lá é costume soltar muitos fogos de artifício durante o dia, tudo em nome do civismo e do amor ao país. E convém que os fogos sejam das cores da bandeira americana: azul e vermelho.
As cores dos fogos de artifício são produzidas predominantemente por sais dos íons metálicos de estrôncio e lítio (vermelho), cobre (azul) e bário (verde). Mas eles podem ainda conter substâncias orgânicas que colorem a fumaça produzida na explosão.
Dentre os compostos orgânicos utilizados está o Solvente Azul 36, ou óleo azul A, azul AP, dentre outros nomes nada comuns. A molécula é um corante derivado da antraquinona quem também é usado em resinas de poli(estireno) e em resinas acrílias, bem como em líquidos (óleos e tintas).
Ele confere à fumaça dos fogos uma coloração azulácea-violácea. Outra molécula similar, o Solvente Azul 35 tem uma n-butila ao invés de uma propila e é também usada para colorir fumaça.
Segue a fórmula do Solvente Azul 36 e, em seguida, a do Solvente Azul 35.
Galera, estou escrevendo esse post para divulgar o trabalho de um colega, o Prof Dr Jones de Andrade da UFRN.
E do que se trata o trabalho proposto pelo Prof Jones?
Simples! Dentro de uma disciplina de Físico-Química tradicional para o curso de Licenciatura em Química (edit: a turma também tinha alunos de bacharelado e de química do petróleo), o professor sugeriu aos alunos que uma parte da nota fosse obtida através do planejamento, elaboração, construção e testagem de um barco movido a motor de explosão combustão.
O barco deveria ser capaz de atravessar um laguinho artificial, que existe na reitoria da universidade, apenas com a propulsão gerada pelo motor.
Os barcos deveriam ser construídos com material caseiro, não podiam ser comprados já prontos e o relatório contendo todos os cálculos termodinâmicos dos ciclos inerentes a cada tipo de motor deveria ser feito em vídeo.
Para isso, o Prof lançou mão das TIC (sigla para Tecnologias da Informação e Comunicação), criando um canal no YOUTUBE para hospedar os relatórios em vídeo e o teste dos barcos no lago da reitoria.
Para deixar um gostinho do trabalho desenvolvido pelo professor e seus alunos, vou colocar aqui o vídeo de um barco movido a motor de combustão (ciclo de Stirling) cujo nome de batismo foi Fuleco. 🙂
Aqui o vídeo da travessia:
Aqui o vídeo do relatório, contendo todos os cálculos e detalhes técnicos:
Claro que esse não foi o único objetivo do projeto, resoluções de exercícios de Físico-Química SEM CALCULADORA e com tutoria do professor também fizeram parte das atividades da disciplina.
A ideia por trás dessa iniciativa era melhorar as habilidades matemáticas dos alunos, que normalmente chegam com dificuldades para realizar cálculos nas disciplinas de graduação. O estímulo para resolver os exercícios era, mais uma vez, uma parcela da nota total.
O legal, pelo que pude observar nos vídeos, é que os alunos lançaram mão de várias tecnologias para a elaboração dos mesmos. Como a disciplina não é de TIC, mas sim de Físico-Química, ela não se limitou a provocar a aprendizagem apenas de conteúdos teóricos, mas proporcionou também a oportunidade de explorar as TIC na elaboração de material didático digital (eu vi que usaram até screencasts ali).
E quem lê o blog ou acompanha a página no facebook sabe o quanto eu gosto de utilizar as TIC na elaboração de material didático e também para facilitar a aprendizagem.
Resta dar os parabéns ao Prof Jones e aos seus corajosos alunos que aceitaram embarcar nessa jornada.
Em um recente artigo publicado no periódico PLOS One são informados os resultados de uma pesquisa realizada com moscas-da-fruta (Drosophila melanogaster) e seis adoçantes comuns no mercado norte-estadunidense.
Dos seis adoçantes testados, um deles mostrou-se eficaz como inseticida.
Sabendo-se que o ciclo de vida da mosca vai de 45 a 60 dias de duração, os cientistas geraram (não sei o termo biológico mais adequado, então vai “geraram” mesmo) moscas em tubos contendo os tais adoçantes.
Em um tubo, contendo um dos adoçantes mais vendidos nos EUA e conhecido pelo nome comercial de Truvia, as moscas viveram por 5,8 dias (em média).
Investigações posteriores determinaram que o responsável por essa mortandade de moscas foi causada por um dos ingredientes presente no adoçante Truvia (cuja base é a Stevia) e ausente nos demais, a molécula conhecida pelo nome de eritritol.
A presença dessa substância no meio faz com que as moscas tornem-se incapazes de locomover adequadamente, ou seja, produz efeitos no sistema motor dos insetos.
O eritritol é um aditivo alimentar autorizado pelo FDA e, portanto, não apresenta riscos aos humanos (até que se prove o contrário).
Do ponto de vista químico (já que este é um blog de química), pode-se dizer sobre o eritritol:
Ah, só para constar, essa pesquisa nasceu de um projeto de feira de ciências. É legal estimular a curiosidade pelas ciências nas crianças, pois mesmo projetos simples podem produzir novos cientistas, tão necessários à nossa sociedade cada vez menos pensante.
E aí, que tal aprender a fazer umas bolas de sabão assustadoramente divertidas?
É difícil? Claaaaro que não!
Primeiro, assista ao vídeo abaixo. Depois darei a receita e algumas explicações.
Você só vai precisar da tradicional mistura composta por sabão líquido, água e xarope de glicose (o famoso Karo aqui no Brasil).
O ingrediente que torna as bolhas em bolhas-fantasma é um líquido preparado a partir de canetas marca-texto (a cor amarela é a melhor) e álcool. Ah, após soprar sua bolha, de preferência no escuro, arranje uma lâmpada de luz negra ou um led que emita radiação ultravioleta e aponte para as bolhas, você vai observar um efeito similar ao do vídeo.
Fiquem agora com a explicação (quase) científica na sequência do post.
O gás Hélio é muito conhecido por sua utilização em balões festivos e por deixar com voz de pato quem o traga (graças à velocidade de propagação do som diferenciada nesse meio).
Mas ele também é usado na forma líquida como refrigerante de dispositivos médicos e de instrumentos científicos.
O que é menos sabido é que ele possui dois diferentes estados líquidos, um dos quais é beeeemmm estranho.
O estado líquido I do Hélio ocorre entre 2,18 K e 4,22 K (entre -270,97ºC e -268,93ºC). Nesse estado ele é quase invisível, os cientistas precisam fazer objetos flutuarem sobre ele para saber onde se encontra a superfície do líquido.
Isso porque esse estado é ao mesmo tempo transparente e ligeiramente mais leve que o vácuo ou a atmosfera terrestre.
Entretanto, quando ele atinge temperaturas próximas a 2.18 K que as coisas começam a ficar realmente estranhas. Esse vídeo da BBC dá uma boa ideia:
Para compreender o que está acontecendo é necessário dar-se conta que todos os fluidos que nós conhecemos possuem viscosidade. As partículas no interior do fluido interagem (podemos usar a palavra “raspar”) com as outras enquanto fluem, criando fricção.
Algumas vezes a viscosidade é óbvia, tal como observado no mel. Com a água, nós mal conseguimos observá-la, o que não significa que a água não seja viscosa, só que muito menos que outros líquidos.
Entretanto, um “superfluido” não possui viscosidade alguma. Não se trata de apenas um pouco de viscosidade, mas sim de absolutamente nenhuma viscosidade.
O estado líquido II do Hélio contém uma mistura de material superfluido e não-superfluido. Inteiramente livre de forças friccionais o Hélio II escala as paredes, passa através de orifícios que bloqueiam o avanço do Hélio I, e conduz calor um milhão de vezes melhor que o Hélio I e centenas de vezes mais facilmente que elementos químicos metálicos.
Ah, e eu já falei que ele produz uma fonte “sem fim”?
Para saber mais sobre o Hélio, continue a ler o post.
Ei, você aí! Você mesmo que gosta de ouvir música no seu computador!
É bem provável que você já usou um player como o winamp e ficou viajando no analisador de espectro sonoro dele com o modo “fire” ativado.
Pois é, esses caras do vídeo a seguir seguiram à risca a ideia de visualizar música com fogo e adaptaram a ideia do tubo de Rubens (mais sobre ele após o vídeo) para criar um plano de fogo que muda de acordo com o som que está sendo executado no player.
Antes de mais enrolação, vejam o vídeo:
O físico alemão Heinrich Rubens criou o tubo (cheio de orifícios) que usa fogo para visualizar ondas planas de som.
Quando não existe som passando pelo tubo, as chamas erguem-se todas à mesma altura.
Quando um som passa através do tubo, a forma das ondas sonoras afeta a quantidade de gás que alimenta cada orifício do tubo.
No ponto de máximo deslocamento da onda (anti-nó), a pressão do gás varia.
A pressão é máxima quando a onda atinge uma crista e o gás é empurrado para o buraco, o que força mais combustível para fora e causa um aumento pronunciado na chama.
Quando a onda sonora está abaixo do máximo (crista), ela suga o gás de volta e a chama tem gás e oxigênio suficiente para permanecer queimando até que uma nova onda sonora atinja uma crista (máximo) naquele ponto novamente.
A parte da onda que cruza a linha mediana e permanece inalterada é chamada de nó. Essa área no tubo de Rubens não tem flutuação de pressão suficiente e permanece relativamente baixa.
O volume do som desempenha um papel importante na forma como as chamas se comportam. A descrição acima aplica-se quando o volume é alto, mas se o som que entra é baixo, a crista da onda não vence a pressão oposta do orifício, e os anti-nós parecem menores que os nós.
O aparato do vídeo tem 2.500 orifícios distribuídos em uma mesa quadrada e plana, ao contrário do tubo de Rubens que têm os orifícios distribuidos linearmente.
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