Diário de um Químico Digital 3.0

Química, TICs e outras treconologias. :)

O que Platão tem a ver com Química? — 30/12/2009

O que Platão tem a ver com Química?

Título engraçado para um post, vocês não acham?

Pois é, engraçado pode até ser, mas é uma realidade.

Talvez muitos químicos nem se deem conta disso, mas o filósofo grego, que viveu entre os anos de 428 e 347 a.C., deixou um legado muito importante para nossa querida ciência da Química.

Ele fez um estudo filosófico sobre as formas da natureza e concluiu que o mundo material como nós o percebemos através dos sentidos não é real, ele é apenas uma sombra do mundo real. Tudo que pode ser experimentado com os sentidos físicos é somente uma sombra do que realmente existe no mundo real, e o mundo real não está acessível às faculdades sensoriais humanas.

Tá, e o que a química tem a ver com todo esse papo filosófico?

Ah, tem sim, e muito!

Basta dizer que ele estabeleceu que algumas formas geométricas, conhecidas hoje pelo nome genérico de sólidos platônicos seriam os arquétipos para tudo o que existe no universo material.

Basicamente, tudo o que há de belo, harmônico, simétrico, etc, deve remeter-se a uma das formas perfeitas previstas por Platão.

Se você é jogador de RPG já deve ter cruzado com algumas dessas formas. Vou facilitar a vida de vocês mostrando algumas imagens (roubadas descaradamente da wikipedia) desses sólidos.

Tetrahedron.svgHexahedron.svgOctahedron.svgPOV-Ray-Dodecahedron.svgIcosahedron.svg

Tratam-se do tetraedro, do cubo (ou hexaedro), do octaedro, do dodecaedro e do icosaedro. Eles se caracterizam por possuírem faces compostas por polígonos regulares (triângulo equilátero, quadrado, pentágono), e em cada vértice do polígono tem um outro polígono assentado. Resumindo:

  • os lados são iguais
  • os ângulos são iguais
  • as faces são idênticas

Mas o objetivo do post não é ficar filosofando sobre os aspectos matemáticos dos sólidos platônicos e sim sobre os aspectos químicos.

Agora vem a parte boa da coisa. Onde isso se aplica à Química?

Se vocês observarem, os sólidos de Platão são em número de cinco.

Um sólido para cada elemento alquímico.
O tetraedro está para o fogo (https://i0.wp.com/upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0b/Alchemy_fire_symbol.svg/64px-Alchemy_water_symbol.svg.png), o cubo está para a terra (https://i0.wp.com/upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0b/Alchemy_earth_symbol.svg/64px-Alchemy_earth_symbol.svg.png), o octaedro para o ar (https://i0.wp.com/upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0b/Alchemy_air_symbol.svg/64px-Alchemy_earth_symbol.svg.png), o icosaedro está para a água (https://i0.wp.com/upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0b/Alchemy_water_symbol.svg/64px-Alchemy_water_symbol.svg.png) e o dodecaedro está para o éter universal (lembram dos doze signos do zodíaco?).

Esses elementos formaram a base do pensamento alquímico grego, árabe, europeu e, portanto, são os pais dos modernos elementos químicos.

Com Lavoisier (1743-1794) vieram as ideias de recombinação de elementos químicos (não mais alquímicos, a parte filosófica foi expurgada para dar origem à ciência Química) e os modernos processos químicos estilo “receita de bolo”. E, um pouco mais tarde, a ideia de átomo foi retomada por Dalton (aquele que sofria de uma doença que o impedia de distinguir entre o vermelho e o verde) e mesclada com as ideias de Lavoisier sobre combinação de elementos químicos.

Antoine LavoisierJohn Dalton

Dando um grande salto na história, chegamos ao ano de 1940. Os senhores Sidgwick e Powel (Oxford University) estabeleceram uma relação entre os átomos e a geometria das moléculas. Eles estabeleceram uma série de regras, baseadas em observações experimentais espectroscópicas (um dia escrevo explicando que maluquice é essa), que permitiram aos químicos deduzir a geometria molecular de diversas espécies químicas.

Em 1957, Gillespie e Nyholm (University College London), aprimoraram as regras de Sidgwick e Powell e criaram o modelo bem sucedido conhecido em português como “modelo da repulsão dos pares de elétrons da camada de valência”. Em inglês é “valence shell electron pair repulsion model”.

Não vou entrar em detalhes químicos sobre esse modelo, deixo isso para um post futuro. O que eu quero agora é encerrar o post mostrando uma tabela que, certamente, vai mostrar qual a conexão com as ideias de Platão acerca dos sólidos perfeitos.

Observem a tabela e me digam se Platão tinha ou não razão:

http://www.uwplatt.edu/~hamiltoj/chem145/vsepr.jpg
Atentem para as moléculas de XeF4 e BrF5, ambas apresentam átomos ou pares de elétrons isolados dispostos segundo os vértices de um octaedro. Agora, observem as moléculas de NH3 (amônia) e H2O (água). Os átomos de hidrogênio e os pares de elétrons ficam dispostos segundo os vértices de um tetraedro.  Eu poderia sair pela rede catando mais exemplos dos sólidos platônicos, e o farei, mas esse post já ficou muito comprido.

Vou encerrando por aqui, desejando que vocês comentem o que acharam do post. Críticas construtivas, dicas, dúvidas, etc, todas serão bem-vindas.

Um grande abraço e até o novo post (esse posterous me deixa com vontade de escrever).

Online Chemical Editor (JChemPaint) – Desenhe Moléculas Online — 29/12/2009

Online Chemical Editor (JChemPaint) – Desenhe Moléculas Online

  Estou ainda na onda de postar coisas no posterous, sendo assim, resolvi postar essa dica de site.

Acesse o link a seguir webqc.org e conheça uma ferramenta para desenhar moléculas direto no navegador.

Pare para pensar comigo. Você precisa desenhar um simples aromático (benzeno, tolueno) ou um heterocíclico para aquele relatório de química orgânica e está no laboratório de informática da universidade.

O bendito laboratório não é exclusivo dos estudantes de química e, portanto, não tem um ChemSketch instalado, não tem um ChemDraw, não tem nada.

Você só precisa daquela estrutura para finalizar o relatório e não sabe o que fazer.

Pois bem, no site em questão dá para terminar o relatório bem rapidinho.

Deem uma olhada na estrutura da ferramenta e nas moléculas simples que eu montei lá, e tudo em menos de um minuto. 

Media_httpimg138image_cckhh

Fica a dica, divirtam-se desenhando suas moléculas no webqc. Até a proxima dica.

Educação digital e os blogs —

Educação digital e os blogs

Pois é, fala-se tanto em educação digital nos dias de hoje e pouco se vê.

O que é essa tal de educação digital? Vamos dar uma definição bem simples, sem recorrer a livros ou quaisquer outras fontes.

Educação digital envolve o uso de ferramentas computacionais para promover o processo de ensino-aprendizagem.
Blogs, drives virtuais, suítes de escritório como GoogleDocs, scribd, slideshare, ferramentas de busca, e até o controverso torrent podem ser usados para promover a educação digital.

No âmbito do ensino de química, pode-se citar como ferramentas que promovem a educação digital todos os programas para a representação de estruturas químicas como, por exemplo, o ChemSketch. Pode-se usar softwares que gerem equações químicas e matemáticas como o Equation Editor da Microsoft ou o Math Type.

Para não ficarmos apenas no âmbito de softwares, pode-se citar as famosas câmeras digitais como ferramentas poderosas para a facilitação da tarefa de educar digitalmente.

As câmeras atuais têm capacidade não só de fotografar, mas de filmar e gravar sons. Uma aula experimental pode ser gravada com uma câmera dessas, o vídeo pode ser convertido ao fomato flv (próprio para upload para o youtube) e disponibilizado para visualização de toda a turma e até mesmo de outras universidades ou escolas.

Eu mesmo já fiz isso, vocês podem ver nesse link do youtube:

Bom, e quanto à aptidão do professor para o uso das tecnologias digitais? Eu acredito que isso também está incluído nessa ampla definição de educação digital. Capacitar para o uso de tecnologias é fazer educação digital.

A coisa toda é muito simples e, ao mesmo tempo, muito complexa. Para mim, educar uma pessoa para usar as tecnologias digitais é fazer educação digital. Mas para fazer esse processo acontecer é necessário estar capacitado a usar tais tecnologias. E para tanto, é necessário USAR as tais tecnologias.

Estou testando essa nova forma de blogar do posterous. Se ela for fácil de usar como está sendo apregoado no meu site preferido de tecnologia (http://www.meiobit.com/meio-bit/web-20/posterous-o-blog-via-e-mail), vou passar a usar essa ferramenta nas disciplinas que estiverem sob minha responsabilidade.

Por enquanto era isso, esse texto é só um teste. Pode ser que nos encontremos novamente em bem pouco tempo.

Um abraço digital!

Prof. Márcio Martins