por Andy Dufloth

Ahh, Florença, Toscana, Itália…

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Vista de Florença

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Eu já falei dos vinh… Espera, Ciência???

Sim, Ciência, e MUITA Ciência… E muitos dos professores de História tem esquecido de dar a merecida ênfase a isso. Apesar de mencionarem, e muito, a cidade, e principalmente a famosíssima Famiglia Médici [1, 2]. Bom, é hora de sanar isso. Porque Florença (Ahh, Florença…) nunca esqueceu de suas raízes, e tem feito um ótimo trabalho em preservar e mostrar a Ciência (a sua e dos demais!) para as novas gerações.

Mas, antes de conhecermos a árvore de hoje, temos que conhecer a semente!

obs.: Este artigo versará mais sobre a história da própria Florença e os Médici, e como ambas se relacionam com os cientistas e museus da cidade, do que sobre os próprios museus e personalidades da Ciência. Os próprios museus, suas exibições, e os próprios cientistas e seus feitos são temas de artigos futuros: logo, este é um artigo introdutório e de apresentação!

Florença, o Início! [3]

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Gaius Iulius Caesar

A cidade de Florença remonta à República Romana [4] (2ª etapa da história de Roma, etapa essa que se iniciou em 509 a.E.C.): foi fundada por Júlio César [5], em 59 a.E.C. Aos que esqueceram, estamos falando do fim da República Romana, precisamente o período do 1º Triunvirato [6] (de 59 à 49 a.E.C., onde dividiram o poder da República Romana Júlio César [5], 100 à 44 a.E.C., Marcos Crasso [7], 115 à 53 a.E.C., e Pompeu Magnus [8], 106 à 48 a.E.C.). Em 44 a.E.C. Júlio César era assassinado, encerrando de vez o 1º Triunvirato e iniciando a curta Guerra Civil que daria origem ao 2º Triunvirato [9] (de 43 à 33 a.E.C., onde dividiram o poder da República Romana Otávio Augusto [10], de 63 a.E.C. à 14 d.E.C., Marcos Lepidus [11], de 89 à 12 a.E.C., e Marco Antônio [12], de 83 à 30 a.E.C.). O período entendido como a transição da República Romana para Império Romano [13] ocorre por definição entre os anos de 49 e 29 A.E.C., ou seja, se inicia com Júlio César, sofre uma tentativa fracassada de ser abortado pela conspiração e assassinato do mesmo, e é levada a termo pelo 2º Triunvirato, que começa na caçada aos conspiradores e termina no retorno aclamado como único imperador de Augusto à Roma em 29 a.E.C. após suicídio de Cleópatra [14] (31 a.E.C.). Em suma, a cidade nasceu pra assistir um dos períodos mais conturbados e importantes da História Ocidental antes mesmo de aprender a engatinhar!

TheodosiusO Império Romano se inicia então e dura, único, mas tem sua administração dividida no ano de 285 E.C. no que hoje se convencionou a chamar de Império Romano Ocidental [15] e Oriental [16]: duas cortes imperiais independentes administrando duas metades de um mesmo império, sem haver nenhuma relação de subordinação entre elas. O Império Romano Ocidental duraria até o ano de 476 E.C., enquanto que o Império Romano Oriental (ou Império Bizantino), sediado em Constantinopla, até 1453 E.C. (sim, quase penetrando no período oficial da História do Brasil e das Américas!), quando sua capital finalmente capitula perante o Império Otomano [17]. Florença estava na metade Ocidental. No período de ouro do Império Bizantino, quando o Império chegou ao seu novo pico de extensão ao redor de 555 E.C., voltou a ser parte do Império, ao passo que as retrações posteriores a tornou parte do que seria o Reino dos Lombardos [18], futuro Reino da Itália, de 568 à 754 E.C.

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Sacro Império Romano (englobando o Reino da Itália)

Nesse meio tempo surge o Sacro Império Romano [19] que engloba o Reino da Itália [20] (ao qual pertencia Florença) e que resulta no surgimento do “Margravirato da Toscana” [21], em 846 E.C., para literalmente estabelecer uma fronteira (oficial) entre o Reino da Itália e os Estados Papais [22]. Após muitos jogos políticos, em 1115 E.C. o Reino da Itália se esfacela em cidades-estado, com Florença se estabelecendo como uma República [23] (ainda que sob o Sacro Império Romano!). O Século XII se passa com muitas guerras pela independência de Florença, e sua manutenção ou recuperação, enquanto que o Século XIII segue com guerras internas entre as diversas facções da cidade. Então, em 1298 E.C., uma das mais poderosas famílias europeias (os Bonsignoris) vai a falência, arrastando seu Banco e a cidade de Siena, ao mesmo tempo que transfere o polo bancário europeu para Florença.

Até aqui: Toda a Herança Romana de 4 fases (República [4], Império [13], Império Ocidental [15], Império Bizantino [16]), guerra pela independência e pelo estabelecimento de uma república [23] goela abaixo do Sacro Império Romano [19], para encerrar a história até este ponto com as fortunas da Europa correndo para e pela cidade: uma magnífica tempestade perfeita está se avolumando no horizonte!

Seria um começo, mas seria reduzido. Aqui surge o Humanismo Florentino, com Dante Alighieri (autor de “Divina Comédia”), Francesco Petrarca e Giovanni Boccacio (Decamerão) na Literatura. As famílias e os bancos de Florença vem ao chão porém em 1340, como consequência de uma crise econômica que assola a Europa. Acrescente a Peste Negra a partir de 1347, ceifando um terço das vidas da República e tantas mais pelo continente afora. Revoltas eclodem, revoltas são encerradas. E, em 1397, Giovanni di Bicci de’ Medici [24] (nascido em 1360, falecido em 1429) funda o Banco de Médici [25]: numa cidade reconquistada, numa república mantida e numa Europa devastada e, portanto, precisando de recursos, o único banco do que era o pólo bancário europeu até poucos anos. Enfim, a tempestade perfeita chegou!

Os Médici e o Renascimento!

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Brasão dos Médici

Um primeiro ponto tem que ser levantado: Os Médici [1] não foram a única família a incentivar as artes e as ciências no que acabaria levando ao Renascimento: outras cidades italianas, controladas por outras famílias, fizeram o mesmo, ao mesmo tempo, e essa convergência é que realmente levaria ao que chamamos hoje de Renascimento. Porém, sendo Florença o polo econômico e bancário da época, e sendo o Banco de Médici [25] o banco da família que era a líder política da cidade, eles estavam no local certo e na hora certa para, tomando as decisões certas, escreverem os nomes na História Mundial como fizeram. Outras famílias poderosas devem ser citadas junto com as cidades-estado que governaram e que, juntas, encerrariam a Idade das Trevas: os Visconti e os Sforza em Milão, os Estes de Ferrara, e os Gonzaga de Mantua, etc. [1]

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Giovanni di Bicci de’ Medici, fundador do Banco de Médici

Após Giovanni [24] fundar o Banco de Médici [25], conquistaria inequivocamente para a família o poder econômico (esclarecendo, a fortuna da família veio da indústria têxtil). Mas o que conquistaria para a família o poder político seria o apoio dado por Giovanni à proposta de taxação proporcional nos impostos da cidade (obs.: nenhum comparativo entre Florença já no século XV com o Brasil em pleno século XXI começando a falar disso, por favor! Quem se interessar, procure pelos sistemas de impostos da cidade com os termos “estimo”, “castato” e “scala”, nesta ordem), e com isso seu filho, Cosimo di Giovanni de’ Medici, il Veccio (o Velho) [26], se tornaria Gran Mestre da cidade em 1434. Não viveria porém para ver isso, pois faleceu em 1429 como um dos homens mais ricos de Florença segundo a sua última declaração de imposto de renda (sim!). Antes disso, em 1420, dividiu o controle majoritário do Banco de Médici entre seus dois filhos, Cosimo e Lorenzo.

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Cosimo di Giovanni degli Medici, il Veccio, filho de Giovanni di Bicci de’ Medici

Cosimo de’ Medici [26] seria então o primeiro da família Medici a assumir o controle político da cidade. Sendo ela uma república, mesmo uma democracia, não podia manter um controle permanente oficial, mas garantia a manutenção dos seus escolhidos. É também com ele que realmente começa a tradição dos Medici de serem patronos das artes: estima-se que ele tenha investido 150 mil florins de ouro (o equivalente a aproximadamente 30 milhões de dólares hoje em uma única cidade ao longo de mais de 50 anos!) em simultânea patronagem artística e, muito como consequência disso, manutenção do controle político da cidade. Esse poder chamaria a atenção dos opositores, que em 1433 conseguiriam condená-lo à prisão, pena a qual converteria em exílio, em Pádua e Veneza. Como resultado imprevisto por seus adversários, porém, o banco e a fortuna o seguiram, e com isso uma onda emigratória significativa o suficiente de Florença para que a pena fosse removida em 1434, quando então retornou à cidade. Faleceria em 1464.

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Lourenzo di’ Piero degli Medici, il Magnifico, neto de Cosimo di Giovanni degli Medici, il Veccio

Seu filho, Piero di Cosimo de’ Medici, il Gottoso [27] (não, não significa o que vocês pensou, significa “aquele que sofre da gota”), viveu de 1416 à 1469, e portanto controlou a República por apenas 5 anos, quando seu filho Lourenzo di Piero de’ Medici [28] (nascido em 1449), que viria a ser conhecido como “Lourenzo, il Magnificent”, o substituiu com 20 anos. Em 1478, como consequência de seu crescente poder, enfrentaria uma revolta [29], capitaneada pelas famílias Pazzi [30] (também uma família, na época, ligada aos negócios bancários) e Salviati [31] (outra família banqueira, sediada em Florença e Roma, para a qual os acordos bancários dos estados papais teriam sido deslocados; antes estavam com a família Medici), pelo Arcebispo de Pisa, Francesco Salviati Riario [32] (cuja ascendência incluía também os Pazzi, além dos próprios Medici!), e pelo então Papa Sixtus IV [33] (que apesar do sobrenome “della Rovere”, pertencia à família… Riario!), a qual seu irmão Giuliano di Piero de’ Medici [34] não sobreviveria. Essa conspiração se encerrou com o linchamento do Arcebispo [32] e a condenação à morte de todos os membros da família Pazzi [30] envolvidos (e exílio dos Pazzi sobreviventes). À essa conclusão se seguiria a resposta papal, que incluiria bloqueio de bens dos Medici, excomunhão de todos os Médici e de todo o governo florentino, interdição da cidade e a aliança militar entre o Papa e o regente de Nápoles para tomar a cidade. [29] Essa guerra se encerrou graças à diplomacia pessoal de Lorenzo para com o Rei Ferdinando I de Nápoles [35], que resultou em poder político o suficiente para assegurar à Lorenzo as mudanças constitucionais que lhe concederiam o poder desejado, bem como uma renovada paz no norte da Itália como resultado do equilíbrio de forças entre as cidades-estado. Grande patrono das artes também, sua corte incluiu alguns dos principais artistas renascentistas, entre eles Leonardo da Vinci [36] (sim, o seriado “Da Vinci’s Demons” [37] tem uma coerência histórica relativamente grande… Sim, Leonardo da Vinci era um gênio, não, ele não era o equivalente renascentista do Prof. Xavier!), Sandro Botticelli, Michelângelo Buonarroti, entre tantos outros. Mais ainda, a cessão de vários destes artistas por Lorenzo a partir de 1480-1481 para a conclusão da reforma da Capela Sistina [38] é hoje vista como um dos movimentos políticos decisivos para assegurar o restabelecimento das relações diplomáticas entre ambos os estados.

Ao fim da vida, que se encerraria em 1492, teríamos o impacto dos erros de Lorenzo sobre a cidade. Apesar de ótimo patrono e líder político, não foi um empresário (ou “executivo”) tão bom quanto seu avô: como resultado, maus negócios foram efetuados e muitas filiais “internacionais” do banco (como o norte da Itália era formada por diversas cidades-estado independentes, para todos os efeitos as filiais em outras cidades faziam do Banco de Médici um banco internacional) faliram. O enfraquecimento do banco na verdade começou ainda com seu pai, Piero [27], mas nada faria a família abandonar a filantropia: Lourenzo certa feita calculou que sua família como um todo investiu, de 1434 (desde o retorno do exílio de Cosimo) à 1471, 663 mil florins de ouro (COMPLETAR E CORRIGIR AQUI!) em caridade, construções e artes! [28]

Para assegurar a sobrevivência política e econômica da Casa de Médici, Lorenzo planejou o futuro de seus descendentes: sua filha Madalena [39] teria o casamento arranjado (com um dote respeitável) com Franchescetto Cybo [40], filho mais velho do Papa Inocente VIII [41] (1484 à 1492); em troca, o Papa então tornou outro filho de Lorenzo, Giovanni [42] (1475 à 1521), cardeal aos 13 anos, que como consequência se tornaria o Papa Leão X (1513 à 1521); o filho ilegítimo de seu falecido irmão Giulliano, adotado, Giullio [43] (1478 à 1534), se tornaria o Papa Clemente VII (1523 à 1534), basicamente sucedendo (a menos de um breve interím) seu meio-imão; e acima de tudo, seu filho mais velho, Piero II [44], seria o sucessor na liderança de Florença. A diplomacia com a igreja foi perfeita, como já se vê: dois papas seguidos foram da família, e o Papa Inocente VIII, que esteve envolvido diretamente em eventos nada iluminados, como a confirmação de Tomás de Torquemada [45] como líder do violentíssimo Tribunal da Santa Inquisição Espanhola, teve qualquer desagrado para com Florença aplacado previamente com casamentos em família e pagamento adiantado.

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Piero II, lo Sfortunato

A sorte conspiraria contra a Dinastia Médici, porém, com o filho mais velho de Lorenzo: não sem motivos, Piero di Lorenzo de’ Medici [44], Piero II, seria conhecido como Piero, lo Sfortunato (“o Infeliz” ou “o Desafortunado”). O mesmo teria contra ele, apenas dois anos após o início de seu governo (em 1494), a invasão do Rei Charles VIII da França pela conquista de Nápoles, com o apoio do ex-regente de Milão, e o fanatismo religioso dos seguidores do Frei Girolamo Savonarola [46] (que atingiu até mesmo Lorenzo de Medici [28] no fim de sua vida!) que resultaram não só nas perdas artísticas ocorridas (em “Fogueiras das Vaidades” – qualquer semelhança com tantas outras fogueiras ao longos dos tempos e mesmo hoje em dia não é mera coincidência!) mas também na falta de apoio à Piero II pelas elites florentinas na guerra. Dessa forma, sua tentativa de estabelecer uma resistência militar fracassou, e a sua falta de habilidades diplomáticas resultaram na necessidade de toda a família Medici abandonar a cidade, resultando no exílio de Florença de toda a Casa de Medici de 1494 à 1512. Nesse meio tempo, Savonarola [46] negociaria com sucesso termos de rendição com o Rei Charles VIII, assumindo o poder da república (coincidência ou não, a família Pazzi [30] retorna neste período para participar do novo governo!) e submentendo-a a seu puritanismo. Este período encontraria seu fim porém ao Savonarola ao desafiar o então Papa Alexander VI [47] em 1495 ao se recusar a participar da liga militar contra a França: Disso resultaria seu aceite ao desafio de um teste de fogo [48], onde deveria caminhar sobre brasas. No dia marcado a chuva desfez o teste, resultando na descrença pela população da aprovação divina ao mesmo, e na sua confissão de que havia inventado todas as visões e profecias alegadamente recebidas: em 1498 foi então enforcado e queimado na praça central de Florença. Piero II [44], por sua vez, faleceria em 1503 enquanto lutava, agora ao lado dos franceses contra os espanhóis, que passaram a guerrear entre si pelo controle do Reino de Nápoles.

Com a morte de Piero II, os Papas Medici que Lourenzo preparara para o futuro agiram como um verdadeiro “plano de contigenciamento” (qualquer semelhança com a 2ª Fundação de Isaac Asimov também não é mera coincidência!), e organizaram a série de casamentos e acordos que implicariam no retorno de Florença ao controle dos Medici em 1512 com o filho de Piero II, Lorenzo II di Piero de’ Medici [49] (de 1492 à 1519). A ele se sucederia seu filho, Alessandro di Lorenzo de’ Medici [50] (de 1510 à 1537). É durante o seu governo que ocorre a transformação da República em Ducado de Florença em 1533 [51] pelo Papa Clemente VII [43] (se você está acompanhando, sim, ele mesmo, Giulio di Giuliano de’ Medici): os resultados disso foram uma revolta popular, o poder hereditário sobre o país e nova tentativa de golpe (ainda que pacífica) envolvendo, adivinhem, a família Pazzi [30, 51] (ok, vamos dizer a verdade, liderados por um sobrinho de Alessandro, Ippolito, [52]!). Apesar de não ter havido apoio para esse golpe, Alessandro [50] seria assassinado por Lorenzino de’ Medici [53], o qual apenas seria condenado à morte pelo sucessor, Cosimo I de’ Medici [54], que em 1569 seria ainda elevado à Grão-Duque da Toscana em 1569 [55]. A Dinastia Médici então somente se encerraria em 1737 [1], tendo sempre mantido a tradição de filantropia.

O Renascimento e a Ciência Florentina!

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Possível auto-retrato de Leonardo da Vinci

A influência de Florença e dos Medici na história da ciência já tem um de três nomes cruciais mencionados: Começamos com o próprio Leonardo da Vinci [36], que como vimos trabalhou para o próprio Lorenzo de Médici [28]. Nascido em 1452 e falecido em 1519, foi um dos maiores e mais prolíficos gênios de suas época e da História: pintor, escultor, arquiteto, anatomista, músico, escritor, cartógrafo, botânico, geólogo, matemático, engenheiro e, last but not the least, inventor. Em negrito, apenas seus interesses com ligação direta ou indireta com as Ciências Naturais. Apesar das diversas e importantes descobertas em anatomia, geologia (chegando aos extremos de uma teoria rudimentar de placas tectônicas!), óptica, hidrodinâmica e engenharia civil, estas não tiveram maiores impactos na história da ciência por dois motivos principais:

  • primeiro, por não terem sido divulgadas (apenas se sabe desses resultados graças às milhares de páginas de manuscritos que sobrevivem);
  • e segundo, sua falta de educação formal em latim (compensada de forma auto-didata!) e em matemática implicaram numa natureza exclusivamente descritiva (e detalhada ao extremo) dos fenômenos estudados em conjunto com a ausência de explicações teóricas.

Vale ressaltar que nem por essa deficiência pessoal ele deixaria de atentar para uma obviedade que tanto escapa a tantos estudantes (inclusive universitários, inclusive de Ciências, inclusive de pós graduação!) atuais numa de suas mais célebres frases:

“Aqueles que se enamoram da prática sem teoria são como marinheiros em um navio sem timão ou bússola, que nunca poderão saber para onde navegam. A prática deve sempre ser edificada sobre a boa teoria.”

Leonardo da Vinci

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Biblioteca Medicea Laurenziana, longo anexo à esqueda na foto.

O segundo nome não se refere à uma pessoa, mas à uma instituição, a Biblioteca Medici, ou “Biblioteca Medicea Laurenziana” [56]: Encomendada pelo Papa Clemente VII [43] (Lembram? Um dos “Papas de Medici”, Giulio di Giuliano de’ Medici, sobrinho de Lorenzo di Piero de’ Medici, il Magnificent [28]!) em 1523, sua construção iniciou-se em 1525, e seria aberta ao público apenas em 1571 por Cosimo I de’ Medici [54], Duque (do então Ducado) de Florença [51] de 1537 à 1569 e Grão-Duque (do agora Grão-Ducado) da Toscana [55] de 1569 à 1574. A mesma ainda é ativa, e seu acervo contém milhares de manuscritos antidos e livros impressos que remontam a invenção da imprensa. [56] A presença de conhecimento científico prévio armazenado é fundamental para fomentar o próximo boom científico, e portanto a próxima etapa do Renascimento, que seria conhecida como Renascimento Científico [58].

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Eppur si muove!

O terceiro e último nome crucial é, ninguém mais, ninguém menos, Galileu Galilei [57]! Nascido em 1564 e falecido em 1642, é já por definição posterior ao período do Renascimento Científico [58] (de 1450 à 1540, período de recuperação de conhecimento clássico abandonado e/ou perdido na Idade Média), e um dos grandes nomes da chamada Revolução Científica [59] que se sucedeu (cuja definição tradicional é desde a publicação de “De revolutionibus orbium coelestium” de Copérnico [60] em 1543, até a publicação do “Principia Mathematica” de Newton [61] em 1687). Filósofo natural, matemático, físico, astrônomo e engenheiro, aprimorou o telescópio dando apoio observacional às conclusões heliocêntricas de Copérnico [60] e Kepler [62] com a observação das fases de Vênus, das luas de Júpiter (na verdade, a forma da Terra e o Heliocentrismo merecerão outros artigos dedicados, mas esperem esses para um futuro mais distante!), desenvolveu uma primeira teoria de funcionamento das marés (mais outro artigo de longo prazo!), praticamente estabeleceu os fundamentos do que hoje se chama de Cinemática (e que acabaria sendo englobada na Mecânica Newtoniana) assim como todo o campo da Mecânica dos Materiais. Nem precisamos ainda considerar suas contribuições à engenharia e ciência aplicadas (Galileu renderia muitos e muitos artigos, assim como Leonardo), e já temos uma lista extensa. Apesar de a Inquisição ao fim de muito tempo tê-lo alcançado, resultando na obrigação da negação pública do heliocentrismo ou morte (ao que, reza a lenda, teria se seguido a famosa frase entre os dentes, “Eppur si muove”, significando “e ainda assim se move”!), viveu quase a vida toda na Toscana (seja como República, seja como Grão-Ducado), o que lhe assegurou a independência acadêmica necessária para executar seus trabalhos longe da influência papal; encerraria sua vida na capital, Florença. Acima de tudo, foi um dos primeiros a claramente expressar que a natureza, e suas leis, são matemáticas (outra lição frequente e tristemente esquecida pelos estudantes atualmente):

“A Filosofia é escrita neste grande livro, o Universo, sempre aberto diante de nossos olhares, mas ele não pode ser compreendido a menos que se aprendam a linguagem e os símbolos em que é escrito. Este é escrito na linguagem da Matemática, e seus símbolos são triângulos, círculos e outras figuras geométricas, sem as quais é humanamente impossível compreender uma única palavra sequer do mesmo; sem estas, em vão vagas em um labirinto escuro.”

Galileo Galilei

Como se pode ver, Florença e a toda a região da Toscana estiveram no meio de alguns dos períodos históricos mais importantes (e até mesmo dramáticos!) da Idade Moderna, no que diz respeito não só à cultura e Humanismo, mas também no que diz respeito à Ciência Pura e aplicada. E esse passado é muito bem preservado, mantido, recordado, festejado e, acima de tudo, “inspirado” pela cidade para os próximos que ainda virão!

Florença, e os Museus de História da Ciência!

Florença, sendo um dos berços do Renascimento, do Humanismo e da própria Ciência Moderna, não trairia esse legado de Cultura: “Museu” é algo que não falta na cidade! (Ela tem pelo menos 72 museus atualmente ativos! [63]) Destes, alguns porém se destacam para os interesses deste blog e seus leitores, por terem um viés mais científico em suas mostras. São esses museus que são, em última instância, o objetivo deste artigo: apresentá-los, para que em artigos subsequentes as mostras possam ser apresentadas! São DEZ museus na cidade com um viés científico claro (ainda que nesta conta incluamos a própria Biblioteca Laurentiana [56]), e vamos apresentá-los agora:

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    Sala de estudos da Biblioteca Medici Laurentiana

    Biblioteca Medici Laurentiana [56]: A versão breve da história da Biblioteca Laurentiana, ou “Biblioteca Medicea Laurenziana” [56] já foi apresentada acima: porém, a história de seu acervo é ainda mais interessante e esclarecedora de toda a história que aqui contamos. Ela se inicia com Niccoló Niccoli [64] (nascido em 1364, falecido em 1437), um apaixonado colecionador de escritos antigos de autores clássicos (e literalmente o inventor da escrita cursiva!), que se tornaria amigo de Cosimo di Giovanni de’ Medici, il Veccio [26]. A paixão compartilhada pela literatura por ambos (muito da coleção particular de Cosimo foi adquirida por indicação de Niccoló) resultou em duas coleções importantíssimas, unificadas após o falecimento de Niccoló por herança para Cosimo (ainda que parte do acervo herdado tenha sido doado para o Monastério de São Marco). Volumes de copistas seriam adicionados por seu filho, Piero di Cosimo de’ Medici, il Gottoso [27], enquanto que seu neto, Lourenzo di Piero de’ Medici, il Magnificent [28], ampliaria ainda mais a coleção, principalmente com textos gregos. O exílio dos Medici após a derrota de Piero II di Lorenzo de’ Medici, lo Sfortunato [44], resultaria na absorção da totalidade da coleção pelo Monastério de São Marco (o mesmo para o qual Cosimo doou parte anteriormente). Em 1508, o então Cardeal Giovanni di Lorenzo de’ Medici [42] (filho de Lorenzo, apontado cardeal aos 13 anos, lembram?) readquiriria o acervo na sua totalidade, transferindo-o para Roma quando tornou-se o Papa Leão X. Somente com o Papa Clemente VII [43] (nascido Giulio di Giuliano de’ Medici, sobrinho de Lorenzo di Piero de’ Medici, il Magnificent [28]!) a Biblioteca propriamente dita tem a sua construção encomendada (à Michelangelo) em 1523, iniciando-se em 1525 e sendo aberta ao público apenas em 1571 por Cosimo I de’ Medici [54], Duque de Florença [51] de 1537 à 1569 e Grão-Duque da Toscana [55] de 1569 à 1574. [56]

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    Estufa do Orto Botanico de Florença

    Jardim Botânico [65]: Fundado em 1545, e ocupando uma área de menos do que meros 3 hectares, possui um acervo de mais de 5 mil espécies vegetais de todo o mundo, incluindo até mesmo espécies já tidas como extintas no passado recente, bem como Sequóias, Araucárias, e coleções importantes de azaléias, plantas carnívoras, orquídeas e cactos.

  3. Museu de Zoologia e História Natural [66]: Museu científico mais antigo e aberto ao público da cidade, conhecido como La Specola, foi inaugurado em 1775 e após o século XIX acabaria dando origem a diversos dos museus atuais. Atualmente concentra exibições de zoologia (24 alas) e anatomia (10 alas), com destaques especiais para as exibições de animais conservados por taxidermia e principalmente para as reproduções em cera de corpos humanos e sua anatomia. O acervo apresentado de 5 mil itens é uma pequena fração do total, com mais de 3 milhões de peças.
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    Crânio fóssil de um Arsinoitherium Zitteli

    Museu de Paleontologia [67]: Criado em 1845 a partir do Museu de Zoologia e História Natural [66], é o museu mais importante de paleontologia da Itália, possui um acervo de mais de 300 mil fósseis vegetais e animais, sendo especialmente famosa a ala dedicada à evolução dos cavalos, mas ainda apresentando fósseis de Moas, tigres dentes de sabre, mamutes e mastodontes, entre outros.

  5. a16Museu de Antropologia [68]: Fundado em 1869 pelo médico e antropólogo Paolo Mantegazza [69], é um dos poucos museus desse tipo na Europa. Apresenta um acervo cobrindo populações e culturas humanas originais (inclusive agora perdidas) dos 5 continentes, composto desde vestimentas, armamentos e objetos de culto, passando por fotografias e fósseis e chegando até a coleções de crânios humanos de diferentes etnias.
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    Escultura etrusca em bronze, Quimera de Arezzo

    Museu Arqueológico Nacional [70]: Fundado pelo Rei Víctor Emanuel II [71] (conhecido como “Pai da Pátria” por ter unificado a Itália em 1861) em 1870 e transferido para a atual localização em 1880, tem um vasto acervo graças em grande parte às doações provenientes de coleções particulares, principalmente das famílias Medici [1] e Lorraine. O vasto acervo possui coleções das civiliações Etrusca (civilização que era do interesse de Cosimo di Giovanni de’ Medici, il Veccio [26], e cuja coleção foi grandemente ampliada pelo Grão-Duque Cosimo I de’ Medici [54] e sucessores), Egípcia (remontando aos Medici, mas ampliada em muito principalmente pela ação do Grão Duque da Toscana Leopoldo II [72]), Grega e Romana.

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    2º maior topázio do mundo, com 151kg

    Museu de Mineralogia [73]: Criado em 1880 a partir do Museu de Zoologia e História Natural [66], é o museu mais importante do gênero da Itália e um dos maiores do mundo, conta com um acervo de 45 mil peças, das quais apenas 2 mil podem estar em exibição simultânea devido ao limitado espaço físico. Possui inclusive peças brasileiras, como o segundo maior topázio do mundo pesando 151 kg e uma água-marinha de 98kg.

  8. Museu de Pré-História Paolo Graziosi [74]: Fundado em 1945 pelos antropólogos Paolo Graziosi [75] e Gaetano Pieraccini [76], possui um acervo do período pré-histórico até a idade do bronze, composto de fósseis e principalmente artefatos de 4 continentes (excluindo apenas a Oceania). No que diz respeito às Américas, o acervo é preenchido por coleções provenientes de escavações na América do Norte e na Argentina.
  9. Museu Nacional de Ciência e Tecnologia Leonardo da Vinci [77]: Fundado em 1942 como “Fundação Museu Nacional de Tecnologia e Indústria”, renomeado em 1947 para “Museu Nacional de Tecnologia e Indústria” e, somente em 1953 assumindo o nome “Museu Nacional de Ciência e Tecnologia Leonardo da Vinci”. Tem uma coleção de 15 mil objetos técnico-científicos diversos, demonstrando a evolução desde o século XIX, portanto, apesar do nome não foca na obra de Leonardo.
  10. 1
    Vista de modelo gigante aberto do tanque de guerra (1º plano), da propulsão com pás (ao fundo) e da máquina voadora (no alto) de Leonardo da Vinci.

    Museu Leonardo da Vinci de Florença [78]: Naturalmente que, dada a importância de Leonardo da Vinci [36], não haveria um único museu em sua homenagem. Este, porém, é realmente dedicado à sua obra, com especial atenção dada as reproduções dos projetos de Leonardo (em dimensões que não podem ser classificadas como de “meros modelos”!), distribuídos em suas 5 sessões (Mecanismos, Terra, Água, Ar e Fogo). Grande diferencial é que tem a possibilidade de uma visita virtual [79]!

  11. Museu Leonardiano di Vinci [80]: Não, não bastam dois, são três. Não estou brincando! Este último é literalmente na cidade de Vinci, a 30km de Florença, onde Leonardo nasceu [36]. Fundado em 1953 com os nomes de “Museu da Vinci” ou “Museu das Máquinas de Leonardo”, tem como principal atrativo as reproduções miniaturizadas dos projetos originais de Leonardo, doadas inicialmente em 1953 pela IBM e de diversas fontes nos anos seguintes. Em 1986 foi renomeado finalmente para “Museo Leonardiano di Vinci”, e além da exibição local conta também com uma mostra itinerante que inclusive passou no Brasil décadas atrás.
  12. Museu Galileu – Instituto e Museu de História da Ciência [81]: Este museu científico também tem uma história extremamente complexa e envolvente, ainda que não remonte ao princípio da Dinastia Medici [1]. A história de seu acervo começa em 1562 com o Grão-Duque Cosimo I de’ Medici [54] e seu “Armário”, que se tornaria a hoje ainda famosa “Sala de Mapas”; prosseguiria com a “Sala Matemática” do Grão-Duque Ferdinando I de’ Medici [82] em 1600 e a “Accademia del Cimento” em 1657 pelos irmãos Grão-Duque Ferdinando II de’ Medici [83] e Cardeal Leopoldo de’ Medici [84] (esta dedicada aos estudos físico-químicos de termometria, barometria e medições penumáticas) no Palácio Pitti, para onde a coleção foi movida. Em 1775, a coleção foi deslocada ainda para o Palácio Torrigiani e ampliada na forma do Museu de Física, tendo a coleção ampliada e agora possuindo instrumentos em matemática, física, meteorologia, eletricidade e astronomia. A partir daí a coleção seria continuamente ampliada até o fim do século XIX. Com a unificação da Itália em 1861 pelo Rei Víctor Emanuel II [71], porém, a coleção seria dividida entre diversos departamentos universitários, até o surgimento em 1922 do movimento pela preservação da herança científica nacional: esse movimento levaria à fundação co Instituto de História da Ciência em 1927, que faria a 1ª Mostra Nacional de História da Ciência em 1929 e obteria em 1930 da Universidade de Florença espaço para uma mostra permanente no Palácio Castellani (onde as coleções seriam unificadas novamente).  Sobrevivendo ainda aos bombardeios da 2ª Guerra Mundial e às enchentes de 1966, Em 2010 ganharia o nome atual : Museu Galileu – Instituto e Museu de História da Ciência. Destaque especial deve ser dado ao canal de vídeos no youtube [85], onde diversos dos experimentos clássicos, nos equipamentos originais, são reproduzidos e apresentados!

Como vemos, a tradição da Ciência em Florença nunca foi perdida. O objetivo desse texto, porém, acima de tudo, era introduzir a existência deste último museu e seu canal de vídeo no youtube [85]. Aguardem, em artigos próximos, os experimentos clássicos que mudaram e definiram a nossa compreensão do universo tendo as suas reproduções e conclusões dissecadas! Mas, enquanto isso, aproveite pra se perder nos museus por conta própria, em tours virtuais, vídeos, etc…

Bibliografia:

[1] Família Medici http://en.wikipedia.org/wiki/House_of_Medici

[2] Árvore Genealógica parcial dos Medici http://www.archiviodistato.firenze.it/rMap/Albero.html

[3] História resumida de Florença http://en.wikipedia.org/wiki/History_of_Florence

[4] República Romana http://en.wikipedia.org/wiki/Roman_Republic

[5] Júlio César http://en.wikipedia.org/wiki/Julius_Caesar

[6] 1º Triumvirato http://en.wikipedia.org/wiki/First_Triumvirate

[7] Marcos Crasso http://en.wikipedia.org/wiki/Marcus_Licinius_Crassus

[8] Pompeu http://en.wikipedia.org/wiki/Pompey

[9] 2º Triumvirato http://en.wikipedia.org/wiki/Second_Triumvirate

[10] Augusto Otávio http://en.wikipedia.org/wiki/Augustus

[11] Marcos Lepidus http://en.wikipedia.org/wiki/Marcus_Aemilius_Lepidus_%28triumvir%29

[12] Marco Antônio http://en.wikipedia.org/wiki/Mark_Antony

[13] Império Romano http://en.wikipedia.org/wiki/Roman_Empire

[14] Cleópatra http://en.wikipedia.org/wiki/Cleopatra

[15] Império Romano Ocidental http://en.wikipedia.org/wiki/Western_Roman_Empire

[16] Império Romano Oriental ou Império Bizantino http://en.wikipedia.org/wiki/Byzantine_Empire

[17] Queda de Constantinopla ou Queda do Império Romano do Oriente ou Queda do Império Bizantino http://en.wikipedia.org/wiki/Fall_of_Constantinople

[18] Reino dos Lombardos http://en.wikipedia.org/wiki/Kingdom_of_the_Lombards

[19] Sacro Império Romano http://en.wikipedia.org/wiki/Holy_Roman_Empire

[20] Reino da Itália http://en.wikipedia.org/wiki/Kingdom_of_Italy_%28Holy_Roman_Empire%29

[21] Margraviato da Toscana http://en.wikipedia.org/wiki/March_of_Tuscany

[22] Estados Papais http://en.wikipedia.org/wiki/Papal_States

[23] República de Florença http://en.wikipedia.org/wiki/Republic_of_Florence

[24] Giovanni de Medici http://en.wikipedia.org/wiki/Giovanni_di_Bicci_de%27_Medici

[25] Banco de Medici http://en.wikipedia.org/wiki/Medici_Bank

[26] Cosimo de Médici, o Velho http://en.wikipedia.org/wiki/Cosimo_de%27_Medici

[27] Piero de Medici http://en.wikipedia.org/wiki/Piero_di_Cosimo_de%27_Medici

[28] Lorenzo de Medici, o Magnífico http://en.wikipedia.org/wiki/Lorenzo_de%27_Medici

[29] Conspiração Pazzi http://en.wikipedia.org/wiki/Pazzi_conspiracy

[30] Família Pazzi http://en.wikipedia.org/wiki/Pazzi

[31] Família Salviati http://en.wikipedia.org/wiki/Salviati_%28bankers%29

[32] Arcebispo de Pisa, Francesco Salviati http://en.wikipedia.org/wiki/Francesco_Salviati_%28bishop%29

[33] Papa Sixtus IV http://en.wikipedia.org/wiki/Pope_Sixtus_IV

[34] Giuliano de Medici http://en.wikipedia.org/wiki/Giuliano_de%27_Medici

[35] Rei Ferdinando I de Nápoles http://en.wikipedia.org/wiki/Ferdinand_I_of_Naples

[36] Leonardo da Vinci http://en.wikipedia.org/wiki/Leonardo_da_Vinci

[37] Seriado “da Vinci Demons” http://en.wikipedia.org/wiki/Da_Vinci%27s_Demons

[38] Capela Sistina http://en.wikipedia.org/wiki/Sistine_Chapel

[39] Madalena de Medici http://en.wikipedia.org/wiki/Maddalena_de%27_Medici_%281473%E2%80%931528%29

[40] Francesco Cybo http://en.wikipedia.org/wiki/Franceschetto_Cybo

[41] Papa Inocente VIII http://en.wikipedia.org/wiki/Pope_Innocent_VIII

[42] Giovanni de Medici, Papa Leão X http://en.wikipedia.org/wiki/Pope_Leo_X

[43] Giulio de Medici, Papa Clemente VII http://en.wikipedia.org/wiki/Pope_Clement_VII

[44] Piero II de Medici http://en.wikipedia.org/wiki/Piero_the_Unfortunate

[45] Tomás de Torquemada http://en.wikipedia.org/wiki/Tom%C3%A1s_de_Torquemada

[46] Girolamo Savonarola http://en.wikipedia.org/wiki/Girolamo_Savonarola

[47] Papa Alexandre VI http://en.wikipedia.org/wiki/Pope_Alexander_VI

[48] Teste de fogo http://en.wikipedia.org/wiki/Trial_by_ordeal#Ordeal_of_fire

[49] Lorenzo de Medici, Duque de Urbino http://en.wikipedia.org/wiki/Lorenzo_de%27_Medici,_Duke_of_Urbino

[50] Alessando de Medici, Duque de Florença http://en.wikipedia.org/wiki/Alessandro_de%27_Medici,_Duke_of_Florence

[51] Ducado de Florença http://en.wikipedia.org/wiki/Duke_of_Florence

[52] Ippolito de Medici http://en.wikipedia.org/wiki/Ippolito_de%27_Medici

[53] Lorenzino de Medici http://en.wikipedia.org/wiki/Lorenzino_de%27_Medici

[54] Cosimo I de Medici, Grão Duque da Toscana http://en.wikipedia.org/wiki/Cosimo_I_de%27_Medici,_Grand_Duke_of_Tuscany

[55] Grão-Ducado da Toscana http://en.wikipedia.org/wiki/Grand_Duchy_of_Tuscany

[56] Biblioteca Medici Laurentiana http://www.museumsinflorence.com/musei/Laurentian_Library.html

[57] Galileu Galilei http://en.wikipedia.org/wiki/Galileo_Galilei

[58] Renassença Científica http://en.wikipedia.org/wiki/History_of_science_in_the_Renaissance

[59] Revolução Científica http://en.wikipedia.org/wiki/Scientific_revolution

[60] Nicolau Copérnico http://en.wikipedia.org/wiki/Nicolaus_Copernicus

[61] Isaac Newton http://en.wikipedia.org/wiki/Isaac_Newton

[62] Johannes Kepler http://en.wikipedia.org/wiki/Johannes_Kepler

[63] Museus de Florença http://www.museumsinflorence.com/index.html

[64] Niccólo Niccoli http://pt.wikipedia.org/wiki/Niccol%C3%B2_Niccoli

[65] Jardim Botânico de Florença http://www.museumsinflorence.com/musei/Botanical_garden.html

[66] Museu de História Natural de Florença http://www.museumsinflorence.com/musei/museum_of_natural_history.html

[67] Museu de Paleontologia de Florença http://www.museumsinflorence.com/musei/museum_of_paleontology.html

[68] Museu de Antropologia de Florença http://www.museumsinflorence.com/musei/museum_of_Antropology.html

[69] Paolo Mantegazza, médico e antropólogo http://en.wikipedia.org/wiki/Paolo_Mantegazza

[70] Museu Arqueológico de Florença http://www.museoarcheologico.net/

[71] Rei Víctor Emmanuel II http://en.wikipedia.org/wiki/Victor_Emmanuel_II_of_Italy

[72] Leopolo II, Gão-Duque da Toscana http://en.wikipedia.org/wiki/Leopold_II,_Grand_Duke_of_Tuscany

[73] Museu de Mineralogia de Florença http://www.museumsinflorence.com/musei/museum_of_mineralogy.html

[74] Museu Pré-Histórico de Florença http://www.museofiorentinopreistoria.it/site/

[75] Paolo Graziosi, Arqueólogo http://it.wikipedia.org/wiki/Paolo_Graziosi_%28archeologo%29

[76] Gaetano Pieraccini, Arqueólogo http://it.wikipedia.org/wiki/Gaetano_Pieraccini

[77] Museu Nacional de Ciência e Tecnologia Leonardo da Vinci http://www.museoscienza.org/english/

[78] Museu Leonardo da Vinci http://www.mostredileonardo.com/

[79] Tour Virtual no Museu Leonardo da Vinci http://www.mostredileonardo.com/virtual-tour/

[80] Museu Leonardiano de Vinci http://www.museoleonardiano.it/eng/

[81] Museu Galileu, Instituto e Museu de História da Ciência http://www.museogalileo.it/en/index.html

[82] Ferdinando I de Medici, Grão-Duque da Toscana http://en.wikipedia.org/wiki/Ferdinando_I_de%27_Medici,_Grand_Duke_of_Tuscany

[83] Ferdinando II de Medici, Grão-Duque da Toscana http://en.wikipedia.org/wiki/Ferdinando_II_de%27_Medici,_Grand_Duke_of_Tuscany

[84] Leopoldo de Medici, Cardeal http://en.wikipedia.org/wiki/Leopoldo_de%27_Medici

[85] Canal de Vídeos do Youtube ligado ao Museu Galileu https://www.youtube.com/user/florencefst/featured

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