Recebi esta dica da minha colega, a Profa Mara Braibante da UFSM, e gostei tanto da molécula que resolvi postar aqui no blog.

A molécula do dia (vocês pensaram que eu tinha esquecido dessa seção do blog?) é o trifluoreto de cloro.

Peraí!!! Cloro e flúor na mesma molécula?

Pode isso, Arnaldo?

Poooooooode, Galvão! A regra é clara: compostos interhalogênicos são permitidos. Se a natureza permite a existência de F2, Cl2, Br2, I2, porque não poderia haver um FCl, um FBr ou até mesmo coisas mais complicadas?

O lance é que essas moléculas podem realizar ligações predominantemente covalentes entre si sem maiores problemas.

O que talvez vocês não esperassem é que elas podem, inclusive, violar a tal “regra do octeto”.

Como assim? Simples, não existe “regra do octeto”.

Mas, vamos com calma que eu explico a coisa ao longo do post. Primeiro, vamos falar sobre a molécula do dia, o ClF3.

Vou copiar para vocês o conteúdo contido no link da Profa Mara:

 

Molécula do DIA

 

Trifluoreto de cloro

trifluoreto1

trifluoreto2

trifluoreto3

trifluoreto4

Agora, algumas explicações adicionais:

Sabemos que tanto o cloro quanto o flúor são átomos do grupo 17 da tabela periódica e que, portanto, possuem 7 elétrons de valência.

A tendência nesses átomos é ganhar um elétron e completar 8 elétrons na camada de valência.

Eles podem fazer isso por ionização (ganhando um elétron) ou por formação de ligação covalente com outro átomo (nesse caso um do mesmo grupo).

No entanto, o ClF3, como vocês devem ter percebido pelo texto acima, excede o tal de número mágico “8”. Ou seja, ele viola a “regra do octeto”.

Como eu disse antes, essa regra não é regra, é mais uma tendência que os átomos apresentam de tentar completar 8 elétrons na última camada. Alguns conseguem, principalmente os do primeiro e do segundo períodos da tabela periódica.

Os do terceiro período da tabela, como o cloro, podem exceder esse número desde que as condições adequadas se apresentem.

O cloro, no caso da molécula de ClF3, acaba fazendo três ligações covalentes com o flúor e deixando dois pares de elétrons não-ligantes, o que nos deixa com 10 elétrons na última camada.

Ah, ficaram chocados com isso? Pois bem, é assim que funciona o mundo real. Como a “regra” não é nem regra e muito menos “lei do octeto”, as moléculas do mundo real ignoram essa nossa vontade de que elas tenham sempre 8 elétrons na última camada e adquirem tantos elétrons quantos acharem necessário.

Sorry vestibulandos e professores de cursinho, o mundinho perfeito de vocês ruiu. (E eu sei que o que estou falando não é novidade nenhuma, apenas que dificilmente chega aos bancos escolares, restando a tarefa para professores do ensino superior chocar seus alunos quando chegam em uma disciplina de Química Geral ou de Química Inorgânica).  


Esse post é baseado em um projeto da Sociedade Brasileira de Química chamado “365 dias de Química”, que se dedica a falar de uma molécula por dia durante um ano. Esse projeto é uma das atividades referentes ao ano internacional da Química, que acontece durante todo o ano de 2011 e se estenderá até um pedacinho de 2012.

Vocês podem aprender mais sobre o AIQ acessando http://www.quimica2011.org.br ou acessando esse link aqui.

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