Para complementar o vídeo do post de ontem, um pouco mais sobre essa fantástica substância que é o cloreto de sódio.

Continue lendo na sequência…

Conhecido pelo nome químico de cloreto de sódio, pelo nome comercial de sal de cozinha ou sal comum, pelo nome mineralógico de halita, é um composto químico de fórmula mínima NaCl.

É um composto cujas ligações são predominantemente iônicas, ou seja, os átomos que compõem o NaCl encontram-se na forma ionizada (íons Na+ e Cl).

 


 Isso acontece porque os elementos químicos do grupo 1, ao qual o sódio pertence, possuem baixa energia de ionização e formam íons +1 com grande facilidade. Já os elementos químicos do grupo 17, ao qual o cloro pertence, necessitam de um elétron para completar a camada mais externa e atingir a configuração estável de um gás nobre, eles recebem um elétron facilmente e formam íons -1.

O sódio, ao perder um elétron, fica com uma camada contendo oito elétrons, assemelhando-se ao gás nobre neônio. O Cloro, ao receber um elétron, fica com a camada mais externa com oito elétrons também, assemelhando-se ao gás nobre argônio.

As cargas opostas dos dois íons resultam em atração eletrostática, fazendo com que uma rede cristalina lentamente comece a se formar. Essa rede cristalina é responsável por, entre outras coisas, manter a neutralidade elétrica da estrutura.

Na estrutura cristalina, cada átomo de sódio está rodeado por 6 átomos de cloro. Cada átomo de cloro está, por sua vez, rodeado por seis átomos de sódio. A proporção final de átomos de sódio para átomos de cloro é 6:6 que dá na mesma que 1:1. Por isso dizemos que a fórmula mínima do cristal é NaCl.

Em cristalografia, dizemos que o NaCl tem uma estrutura cristalina octaédrica.

Esse sal é encontrado em larga escala na água do mar, sendo o principal responsável pelo sabor salgado dela.

Em muitos organismos vivos multicelulares, o cloreto de sódio está presente nos fluidos extracelulares, sendo um dos principais responsáveis pela regulação da pressão osmótica das células.

Em grandes quantidades no organismo, ele promove a desidratação das células, sendo usado desde longa data como conservante alimentar. Temos como exemplo de alimentos conservados por sal as conservas de vegetais (picles e assemelhados) e as carnes secas (charque ou carne-de-sol).

É obtido por evaporação em massa da água do mar ou de salmoura (obtida pelo bombeamento de água pura para dentro de minas subterrâneas de sal).

Imagem: Deserto de Atacama – Chile. Planícies intermináveis de sal.

Também é usado no branqueamento de polpa de papel, na fixação de corantes em tecidos tingidos, na produção de sabões e detergentes e também é a matéria-prima básica da indústria de soda cáustica e cloro (veja reação de eletrólise abaixo).

2 NaCl + 2 H2O → Cl2 + H2 + 2 NaOH

Na indústria, ele é usado para produzir plásticos (PVC), pesticidas e resinas epóxi.

Através de outros processos, ele é usado para a produção de sódio metálico, carbonato de sódio e cloreto de cálcio, além de sulfato de sódio e ácido clorídrico.

Um uso curioso para o cloreto de sódio que eu não sabia, é em extintores de incêndio para fogos causados por metais combustíveis (magnésio, potássio, sódio e amálgamas de NaK). um pó termoplástico e uma substância à prova d’água (estearatos metálicos), bem como fosfato tricálcico (agente anti-cozimento) são adicionados ao sal para formar o agente de extinção de incêndio.

O cloreto de sódio influencia, também, a formação de nuvens sobre o mar. As pequenas partículas de sal suspensas no ar atuam como núcleos de condensação de umidade. Além disso, o sal, por seu poder de deprimir o ponto de congelamento da água, é usado para derreter a neve em calçadas e pistas de automóveis em países frios.

Para uso em rodovias, o cloreto de cálcio (CaCl2) é preferido, visto que a sua dissolução na neve libera energia, que é usada para aquecer ainda mais a neve e auxiliar no derretimento da mesma. Além de ser mais ambientalmente amigável. Infelizmente o cloreto de cálcio promove um maior enferrujamento das latarias dos automóveis.

O cloreto de sódio não requer grandes cuidados e tem armazenamento fácil, ao contrário do seu concorrente cloreto de cálcio.

A salinidade (S) da água é medida em gramas de sal por kilograma de água, e as temperaturas de congelamento podem ser vistas na tabela abaixo:

S (g/kg)

0

15

30

45

59

 

T (°C)

0

−0.8

−1.7

−2.7

−3.6

 

S (g/kg)

75

90

106

123

140

157

T (°C)

−4.6

−5.5

−6.6

−7.8

−9.1

−10.4

S (g/kg)

175

193

212

231

250

269

T (°C)

−11.8

−13.2

−14.6

−16.2

−17.8

−19.4

S (g/kg)

290

311

331

353

 

 

T (°C)

−21.1

−17.3

−11.1

−2.7

 

 

A maior parte do sal vendido para consumo não é puro. Em 1911, carbonato de magnésio passou a ser adicionado ao sal de cozinha para fazê-lo fluir mais facilmente. Em 1924 quantidades-traço de iodeto de potássio (KI) passaram a ser adicionadas, a fim de reduzir a incidência de bócio (uma doença bem feia, nem vou colocar foto aqui). 

Sal para descongelamento costuma conter hexacianoferrato de sódio (II) em concentrações menores que 100 ppm, a fim de permitir que o cloreto de sódio flua livremente para fora das caçambas que transportam o sal até a pista obstruída com neve, a despeito de ter permanecido armazenado longo tempo antes de ser usado.

(Você lembram daquele maldito saleiro de restaurante que passou a semana inteira em cima da mesa? Lembram quando tentaram colocar uma pitada de sal na salada e não conseguiram porque o sal estava grudado nos furos do saleiro? Pois é, por isso eles adicionam essa substância, para facilitar o trabalho de descarregar o sal).

 

Bom, e da próxima vez que perguntarem a vocês se são a favor ou contra a legalização do cloreto de sódio não vão precisar dar uma de intelectuais e ficar bolando explicações mirabolantes para evitar dizer que não conhecem essa substância.

 

Se vocês tiverem outras informações sobre o cloreto de sódio e quiserem compartilhar comigo, os comentários estão logo aí abaixo.

Ou podem me contatar pelo e-mail: contato@diariodeumquimicodigital.com

Até o próximo post!

 

FONTE

 

 

 

 

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