Sintam-se parabenizados todos os Químicos, formados ou não.

A Química é a ciência das transformações. 

Tudo que pode ser modificado a partir de processos envolvendo calor, dissolução, agitação, resfriamento, etc, é objeto de estudo da Química.

Como ciência exata ou tecnológica, ela é relativamente nova. Podemos rastrear a Química até a época de Lavoisier e Boyle, dois cientistas que foram responsáveis por dotá-la de método, precisão e exatidão. 

Aliás, foi com Boyle que passamos a ser chamados de Químicos. Ele publicou o livro clássico “The Skeptical Chemist“, na qual ele lança as bases para o método científico hoje tão comum em nossas universidades e escolas. 

Antes deles, o que podia ser chamado de Química pertencia ao campo da Alquimia, essa uma ciência especulativa/oculta. Muito do que os Químicos fazem em seus laboratórios nos dias de hoje é herança do trabalho dos Alquimistas.

A profissão do Químico no Brasil é regulamentada pelo Conselho Federal de Química, o qual é auxiliado na tarefa de fiscalizar e zelar pelo bom exercício da profissão pelos Conselhos Regionais de Química.

Esse negócio de conselho é uma herança direta das guildas de artesãos da Idade Média, a única diferença é que hoje não chamamos mais de guildas e somos amparados por legislações nacionais.

Os Químicos podem ser classificados em três tipos:

Licenciado em Química:

É um profissional talhado para o ensino de Química. Pode atuar no ensino técnico, médio regular, EJA e superior. No entanto, graças à sua formação básica em Química, pode atuar em setores de análise, pesquisa, desenvolvimento de produtos, etc. Engana-se quem pensa que licenciado é “só para dar aula na escola”. E, a quem interessar possa, o licenciado é o único profissional da Química que tem direito legal de atuar no ensino médio e fundamental. Ou seja, portar um diploma de licenciado garante o direito de realizar concursos públicos para cargo de professor.

Bacharel em Química

O Bacharel em Química é um profissional generalista. Possui uma formação avançada em Química, normalmente sendo direcionado desde o início da graduação para a pesquisa. Engana-se quem pensa que ele pode apenas atuar na pesquisa acadêmica, embora seja essa a atribuição que a maioria dos profissionais formados como bachareis pensam ter. Um bacharel pode atuar no ensino de nível superior, desde que obtenha títulos acadêmicos que o habilitem a prestar concursos públicos para professor de nível superior.

Aliás, o Brasil é um país em que o título de Bacharel é considerado de nível superior. Em outros países, “bacharel” é quem terminou o equivalente ao nosso Ensino Médio. 

Na idade média, um “bachelor” era um escudeiro aspirante a cavaleiro. No século XIV, o aprendiz que se iniciava a um ofício e, portanto, passava a fazer parte de uma guilda, era chamado assim. 

Aspirantes a monges, religiosos de classes eclesiásticas inferiores, ou recém-formados em universidades europeias, todos recebiam esse título.

O sentido original de “bacharel” era que a pessoa portadora desse título tinha concluído sua primeira etapa de estudos e estava pronta para iniciar a formação avançada.

Nos tempos gregos, uma coroa de louros era oferecida aos jovens que logravam êxito no seu processo de formação (isso incluía a prática de esportes e declamação de poesias). Essa coroa de louros era conhecida na Europa como “bacca laureus” e a pessoa que a portava era um “baccalaureatus”.

Aqui, em terra brasilis, um bacharel é uma pessoa que completou a sua primeira etapa de estudos e está pronta para começar a formação como “Doutor”. Em alguns cursos (direito, engenharias e medicina), a pessoa recebe o título de Bacharel quando se forma e, após prestar um exame ou realizar uma residência médica, passa a ser considerado “Doutor”.

Em Química, um bacharel deve fazer um doutorado em programa de pós-graduação reconhecido a fim de obter esse mesmo título (licenciados e industriais também podem). 

Químico Industrial

Essa habilitação é um pouco diferente das demais, pois o profissional formado tem um perfil mais tecnicista. Ele é formado para atuar no ramo industrial, e as disciplinas que ele cursa durante sua graduação tentam direcioná-lo para isso. Nada impede que o profissional dessa área migre para a pesquisa básica. Na verdade, a maioria dos Químicos Industriais acaba atuando nos mesmos campos do bacharel, visto que sua formação básica assim o permite. Muitos Químicos Industriais acabam fazendo pesquisas aplicadas ao ramo industrial, principalmente na área de novos materiais e catálise.
O profissional formado com essa habilitação pode atuar no ensino superior, supervisionar processos industriais, controle de qualidade, pesquisa de novos materiais, etc. A única coisa que ele não pode fazer é assinar como responsável técnico por uma planta industrial, habilitação essa que só é dada aos engenheiros químicos.

Não incluí o Engenheiro Químico nessa minha pequena descrição porque ele é um profissional diferenciado do Químico. De acordo com a legislação nacional, o Engenheiro Químico possui o maior número de habilitações que um Químico pode obter, mas a formação dele fica a cargo das faculdades de Engenharia e costuma ser bem diferente.

Bom, viajei demais na maionese, vou parar por aqui. 🙂
Anúncios